"Fiquei triste": Críticas à posição de Montenegro sobre presença de Putin no G20
- 29/04/2026 15:51
- Redação
"Quando o Governo português, através do Sr. primeiro-ministro, acha muito bem que Putin esteja na cimeira do G20, eu fiquei no mínimo triste, que é para não ser mais crítico", afirma o antigo deputado do PSD.
Duarte Pacheco sublinha que tem sido Donald Trump a defender a presença de Putin na cimeira: "Que alguém – que também temos muitas dúvidas sobre a sua sanidade mental – o convite, já é crítico. Que outros que não têm este problema de sanidade mental achem que isso é um ato construtivo, custa-me a compreender".
O antigo deputado do PSD defende que sejam mantidos "canais diplomáticos abertos" porque é preciso "dialogar com todos", mas argumenta que isso não deve acontecer "nas grandes cimeiras onde um criminoso se vai sentar ao lado dos outros líderes". Duarte Pacheco fala num cenário "inaceitável" e espera que ainda haja tempo para um recuo.
Já Mariana Vieira da Silva, deputada do PS e vice-presidente da bancada, avisa que a posição do primeiro-ministro português está a gerar "reações um pouco por toda a Europa" e lamenta que Luís Montenegro não se descole das posições do Presidente norte-americano.
"Tenho chamado a atenção para uma grande dificuldade que Portugal tem em ser claro nestas matérias, parecendo quase o último moicano nos apoiantes de Donald Trump a nível europeu, não acho que isso seja bom para Portugal", argumenta a antiga ministra da Presidência.
Mariana Vieira da Silva assinala que os restantes líderes têm vindo a "alinhar-se com palavras mais críticas" e lamenta que Portugal não faça o mesmo.
"Mesmo em casos em que esse trabalho já foi feito [a parte burocrática], os pagamentos continuam a não chegar, ainda há territórios sem comunicações. Isto parece uma fuga para a frente e denota uma fuga ao compromisso. Chuta o calendário demasiado para a frente", afirma Mariana Vieira da Silva.
A antiga ministra da Presidência reconhece que fazer planos a médio prazo é "difícil", mas lamenta que o executivo de Luís Montenegro não esclareça que parte do dinheiro já estava prevista e qual é o montante que é novo.
Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, reconhece que o anúncio de 22,6 mil milhões de euros de investimento "é um número que impressiona" e que corresponde aproximadamente a "cerca de 8% do PIB português". No entanto, questiona: "O que é realmente novo?".
O social-democrata critica a oposição que "peca por excesso", mas reconhece que os apoios imediatos têm demorado demasiado tempo a chegar.
"A resposta tem sido lenta. O Governo demorou a perceber o que se está a passar, depois foi rápido a ir ao terreno e apresentar medidas, mas até que elas cheguem às pessoas o processo está muito atrasado", afirma Duarte Pacheco.
Sobre as medidas de médio e longo prazo, o antigo deputado do PSD alerta que podem ser interrompidas quando caem os Governos e que podem vir a envelhecer mal.
"Se cá estivéssemos com saúde em 2034 e fôssemos a ver o que tinha sido efetivamente concretizado, se calhar ficávamos um pouco envergonhados, porque é demasiado longo e, por ventura, as coisas podem não vir a concretizar-se", avisa.