Funicular da Graça retoma viagens
- 30/04/2026 07:49
- Redação
“Está tudo em conformidade com aquilo que é absolutamente obrigatório para reconstruir a confiança na utilização dos serviços”, assegura Rui Lopo, presidente da Carris, depois de ter subido à Graça e regressado à Mouraria através do Funicular da Graça, que hoje retomou a circulação.
Para já, o funicular vai funcionar todos os dias, das nove da manhã às cinco da tarde. Mas, nas próximas semanas, “vamos aumentar o horário e a frequência, na exata medida em que seja necessário transportar mais gente”.
Das nove às cinco é mais do que suficiente, acredita António Luís. De bengala na mão, com medo de se desequilibrar e com dificuldades de locomoção, conseguiu ser o primeiro a fazer a viagem inaugural no funicular.
“É bom. Das nove às cinco é bom. Também, à tarde, o que é que os velhotes vão fazer?”, questionava este idoso, do alto dos seus 84 anos, que há meses não subia à Graça.
“O funicular faz falta, muita mesmo. Sem ele não vinha”, porque tinha de apanhar o elétrico para as Portas do Sol e depois outro para a Graça.
Quanto aos ascensores da Bica e do Lavra, também encerrados aquando do acidente com o elevador da Glória, ainda vai demorar até retomarem o seu funcionamento. A Comissão Técnica Independente ainda está a trabalhar.
“Estão a avaliar, do ponto de vista técnico, tal como fizeram para o funicular da Graça, que condições têm de ser revistas para depois se poderem pronunciar”, explica o presidente da Carris, sublinhando a diferença em relação ao funicular da Graça, que permitiu a sua reabertura.
“É um equipamento que tem dois anos, do ponto de vista da construção. Os outros têm cem. É mais complexo validar que um equipamento histórico, que faz parte do nosso património, tem todas as condições de segurança para entrar em funcionamento”, adianta Rui Lopo.
A segurança, ou o receio da sua falta, é o que afasta Joaquina Aragão do funicular da Graça, onde nunca andou.
“Neste não. Porque acho aquilo muito inclinado e não tenho muita confiança. Aconteceu o caso da Glória e então é que desisti mesmo”, confessa esta alfacinha de gema, nascida e criada na zona de Sapadores, onde ainda vive.
Ninguém esquecerá o que ali aconteceu, no início de setembro do ano passado, quando um acidente provocou a morte de 16 pessoas e ferimentos noutras 20.
Quanto ao futuro, para já decorrem avaliações técnicas e olha-se para o que se faz lá fora, para um dia tomar uma decisão.
“Nesta fase, está tudo em avaliação técnica. Temos muito bons técnicos em Portugal que conhecem este tipo de equipamentos e, com eles, estamos a olhar para experiências internacionais”, revela Rui Lopo. “Naturalmente, estamos a fazer a avaliação técnica com todos os peritos da Comissão Técnica Independente, para depois termos uma boa decisão técnica, sem questões de segurança que venham a ser colocadas.”