Atrasos nos túneis e inverno põem Linha Rubi do Metro do Porto em estado crítico no PRR
- 30/04/2026 09:44
- Redação
Atrasos nas escavações dos túneis e um inverno rigoroso colocaram a empreitada da Linha Rubi do Metro do Porto em estado crítico quanto à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiador do projeto, foi divulgado esta quinta-feira.
"O projeto tem execução material efetiva e visível, embora o ritmo das obras esteja menos acelerado que o previsto", em virtude de dificuldades nas escavações dos túneis e das condições meteorológicas adversas, pode ler-se num relatório da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR.
Depois de duas avaliações de "necessário acompanhamento", em 2024 e 2025, a Linha Rubi foi agora classificada como "crítica" pela CNA-PRR.
Em causa está a Linha Rubi do Metro do Porto, que ligará Casa da Música a Santo Ovídio e inclui uma nova ponte sobre o rio Douro, cuja empreitada já sofreu atrasos superiores a um ano, estando a conclusão prevista para julho de 2028.
A Metro do Porto admitiu à Lusa que, face aos atrasos, não vai conseguir aproveitar na totalidade as verbas do PRR, procurando financiamento alternativo através do programa Sustentável 2030, de forma a reduzir o peso no Orçamento do Estado.
No relatório, a CNA-PRR alerta que "desde as fases iniciais, este investimento apresentou riscos elevados de execução temporal", devido à dimensão, complexidade técnica e contexto urbano da obra, bem como à previsível litigância nos processos de contratação pública.
A estrutura liderada por Pedro Dominguinhos destaca ainda que "a ponte sobre o rio Douro é um elemento crítico estruturante", condicionando a conclusão integral da linha e podendo exigir faseamento na entrada em operação.
Assim, "persistem riscos relevantes associados ao cumprimento" das metas financiadas pelo PRR, nomeadamente ao número de quilómetros a executar, devido às condições climatéricas e à complexidade da obra.
A comissão recomenda "controlo muito rigoroso da execução física" e monitorização contínua dos elementos críticos, bem como uma validação antecipada das evidências a submeter à Comissão Europeia.
O relatório refere ainda reduções sucessivas na ambição do projeto financiado pelo PRR, com cortes na extensão (de 6,74 km para 5,5 km) e no número de estações abrangidas (de oito para sete).
Apesar disso, a empreitada encontra-se em curso, com trabalhos visíveis em vários troços, incluindo túneis, estações e infraestruturas em Vila Nova de Gaia e Porto.
Também a nova ponte sobre o Douro está em execução, com pilares já visíveis e início da construção do tabuleiro.
Em termos financeiros, o projeto sofreu sucessivos aumentos: dos 299 milhões de euros inicialmente previstos em 2021, passou para 435 milhões em 2023 e, mais recentemente, para 487,9 milhões de euros após reforço aprovado em 2025.