Quatro em cada 10 jovens são precários. Raio-X ao mercado de trabalho em Portugal
- 30/04/2026 19:59
- Redação
Com mais de cinco milhões de trabalhadores, o país conta, porém, com uma das mais elevadas taxas de emprego juvenil entre os 25 e os 29 anos.
Este ano, o Dia do Trabalhador comemora-se nas ruas do país, tendo como pano de fundo as negociações da reforma laboral.
Para já, ainda não foi feito nenhum anúncio oficial e as negociações para uma possível reforma laboral estão a decorrer, mas parte das alterações exigidas coincidem com os desequilíbrios apontados nos novos dados.
De acordo os novos dados compilados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), através da Pordata, 79,6% da população portuguesa completa a taxa de emprego do país e, em comparação com outros 27, coloca-se a meio da tabela, na 12ª posição.
E os jovens portugueses dos 25 aos 29 anos posicionam-se em sétimo lugar perante as taxas da UE.
Já na União Europeia, apenas uma em cada quatro pessoas, entre os 20 e os 64 anos, está fora do mercado de trabalho.
Malta (83,6%), Países Baixos (83,4%) e Chéquia (82,9%) são os países com maiores taxas de emprego. Já Grécia (71%), Roménia (69%) e Itália (67,6%) situam-se no extremo oposto.
As desigualdades de género persistem em Portugal e na UE, à exceção da Lituânia, com os salários dos homens superiores aos das mulheres.
E os estrangeiros trabalham mais do que nacionais? Apesar de ser uma percentagem percentual, estes completam 79,8% da taxa de empregabilidade e os portugueses 79,6% .
Perante uma média europeia de 37 horas de trabalho semanal, Portugal coloca-se em quinto lugar nesta dimensão.
Bulgária, Roménia, Polónia e Grécia são os quatro países que ultrapassam os portugueses.
Luxemburgo é o país que mais paga, em média, aos trabalhadores, com um salário médio de 6.914,10 euros – o que equivale a mais do triplo dos praticados em Portugal, que corresponde a 2.068,2 euros.
O salário mínimo português de 2025 mais do que triplicou em comparação com 1995, subindo de 259,4 euros para 870 euros.
À semelhança de Espanha ou França, 15,1% dos trabalhadores em Portugal assinou contratos temporários, sendo que quase 4 em cada 10 têm trabalhos precários.
Portugal também é o quarto país da União Europeia com mais trabalho precário entre os jovens e está entre os países com maior diferença na percentagem de trabalho temporário, por nacionalidade, com quase 34% de estrangeiros e quase 14% de trabalhadores nacionais.
Relativamente à UE, 19,2% dos trabalhadores estrangeiros tinham emprego temporário, em 2025.
Apenas 8,1% dos trabalhadores em Portugal tem contrato a tempo parcial. Na UE, este tipo de contratos é mais popular entre mulheres e pessoas com menos de 25 anos, sendo que 18,8% dos trabalhadores completam esta dimensão.
Cada trabalhador português contribui, em média, com 48 mil euros – menos 26 mil euros do que a média europeia.
No entanto, Portugal destaca-se na produtividade em três setores: produção e distribuição de energia, atividades financeiras e de seguros e na área do alojamento e restauração.
Sobre os ramos de atividade, Portugal não se distingue do padrão europeu, já que cerca de dois terços dos trabalhadores concentram-se em quatro grandes grupos profissionais: especialistas de atividades intelectuais e científicas; trabalhadores dos serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores; trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices e técnicos e profissões de nível intermédio.