Varandas defende renovação de Rui Borges. "Os últimos 15 dias não são preponderantes"
- 01/05/2026 06:06
- Redação
Frederico Varandas, presidente do Sporting, defende que a renovação de contrato com Rui Borges, anunciada esta sexta-feira, deve-se ao trabalho desde que chegou ao clube, não "pelos últimos 15 dias", que ditaram o adeus ao título de campeão nacional.
Varandas falou durante cerca de 30 minutos. Primeiro discursou, depois respondeu às perguntas dos jornalistas e recusou um suposto "mau timing" para a renovação.
"Recordo que já renovei com um grande treinador depois de um quarto lugar e quando decidimos renovar, nem estavam sequer no quinto. Os últimos 15 dias não são preponderantes. Em setembro de 2025, tínhamos acabado de ser bicampeões, saiu logo uma pergunta se iria renovar. Não disse nada, criou-se um caso. Nunca disse nada, houve sempre perguntas", lamenta.
O presidente leonino explica que a renovação prende-se com a conclusão que Rui Borges "é o homem certo" e que a renovação acrescenta tranquilidade à próxima época.
"A renovação ajuda? Ajuda. E do ponto de vista negocial, como devem calcular, a renovação é muito mais difícil se for feita no último ano de contrato", defende.
Apesar de uma época em que o Sporting ainda terá de esperar por um deslize do Benfica para chegar ao segundo lugar e consequente apuramento para a Liga dos Campeões, Varandas espera que Rui Borges "continue a dar a mesma performance à equipa, na luta dos títulos e nas decisões."
"Umas vezes ganharemos, outras perderemos. Temos ganhado mais e queremos estar na decisão. Estivemos nas decisões este ano. Desde que assumimos este cargo, não tenho de perder. Estou muto tranquilo com as decisões tomadas", diz.
Varandas diz que "percebe o que é o adepto" e, nesse sentido, "compreende as críticas". "Mas quero que percebam que, enquanto aqui estiver, jamais vou decidir como um adepto", garante.
O presidente do Sporting acredita que a equipa sofreu com o seu próprio sucesso: "Se quer a minha análise fria e racional é que o insucesso desta época é o resultado do sucesso desta época. Vou tentar explicar."
Varandas reconhece que, quando viu o sorteio da ronda principal da Champions, acho que "seria difícil seguir para os 'play-offs'".
A equipa de Rui Borges acabou no sétimo lugar, apurou-se para os oitavos de final e eliminou o Bodo/Glimt. Varandas afirmou que, se fosse treinador, não teria apostado na eliminatória frente ao Arsenal.
"Se o Sporting não tivesse passado o Bodo/Glimt, teríamos o tricampeonato na mão, é a minha convicção. Foi um dos melhores jogos que vi na vida, mas essa vitória complicou o campeonato e a Taça", diz, antes de prosseguir.
"Não vou condenar os meus jogadores por acreditarem que poderiam chegar às meias-finais da Champions League. Eu não o teria feito, mas vou condená-los? Estivemos até ao último segundo a disputar a passagem às meias-finais e pagamos essa fatura", considera.
Varandas deu ainda os "parabéns aos jogadores do FC Porto, que têm muita seriedade, mas acima disso há coisas muito mais importantes, que é a forma de estar na vida e vale muito mais."
No entanto, não entrega o título de "melhor equipa do campeonato" aos dragões, lamentando a exposição competitiva a que o Sporting esteve sujeito.
"A exposição nada tem a ver com a que o líder do campeonato teve. Com os novos modelos, a Liga dos Campeões não tem nada a ver com a Liga Europa. É um líder justo do campeonato, mas peguem nesse plantel contra a Juventus, Nápoles, Marselha, Athletic Bilbau, PSG, Bayern de Munique, Bodo/Glimt e Arsenal. O rival tem mérito porque percebeu as suas competências, limitações e jogou só para um troféu", considera.
O Sporting é terceiro classificado da I Liga, com 73 pontos, a dois do Benfica, que é segundo classificado. O Porto lidera com 82 pontos e pode fechar as contas do título se vencer o Alverca, este sábado.