Mário Mourão: "UGT não vai ceder perante as traves mestras do Governo"
- 01/05/2026 11:23
- Redação
O secretário-geral da UGT garantiu esta sexta-feira que a central sindical "não cedeu" perante as principais questões em negociações na reforma laboral, considerando que quem quis tentar enfraquecer a UGT, falhou.
Em discurso do 1º de Maio na festa organizada pela UGT no Centro Desportivo do Jamor, Mário Mourão não nomeou o Governo ou o Ministério do Trabalho, mas disse que a organização sindical está mais unida do que nunca.
"Foi unidos que dissemos um 'rotundo não' ao anteprojeto em julho do ano passado. Foi unidos que dissemos que íamos para a greve geral. E foi unidos que recusámos agora um anteprojeto que não evoluiu nas matérias fundamentais. A UGT não cedeu. A UGT não vai ceder perante aquilo que são as traves mestras do Governo", disse.
Mário Mourão questionou se "alguém acredita" que o pacote laboral proposto pelo Governo poderá resolver problemas de empresas e trabalhadores, acusando o executivo de Luís Montenegro de querer “competir com salários baixos, com países onde o trabalho é explorado”, enquanto a UGT quer “comparar Portugal com os melhores”.
Sem dizer se a UGT irá aderir à greve geral convocada pela CGTP para o próximo dia 3 de junho, Mário Mourão lembrou o passado recente, referindo duas vezes a greve de 11 dezembro de 2025 e afirmando que foi unida que a União Geral de Trabalhadores participou nessa ação de luta.
Em declarações à RTP antes do discurso, Mário Mourão avisou que, se o modelo de negociação não se alterar, vai ser muito difícil chegar a um acordo e que a central sindical não está a pensar nessa forma de luta, sem excluir a adesão à paralisação.
"Se mantivermos o modelo de negociação que decorreu até aqui, vai ser muito difícil chegar a acordo. Se não houver boa fé negocial e disponibilidade para aproximar as posições, a negociação está ferida de morte", apontou, referindo que as propostas da UGT estão "todas feitas" e que, se não houver acordo, "não é o fim do mundo".
A posição da UGT surge a dias de uma nova reunião de Concertação Social, agendada pelo Governo para 7 de maio para encerrar o processo negocial.
Mário Mourão discursou minutos depois de o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas à chegada à festa da UGT, ter desafiado o primeiro-ministro a deixar cair a reforma laboral.