Dia do Trabalhador: pacote laboral foi o alvo a abater

  • 01/05/2026 15:01
  • Redação

Centenas voltaram a desfilar com cravos ao peito e cartazes, só que o tom foi menos sobre as dificuldades que os trabalhadores vivem, e mais sobre aquelas que ainda podem vir a viver – se o pacote vier a ser aprovado. Mesmo com o custo de vida a subir a pique e a emagrecer o poder de compra.

"Só tinham de nos pagar o suficiente para viver", podia ler-se num cartaz de um manifestante, no Martim Moniz.

No entanto, muitos assumiam que a manifestação deste ano servia sobretudo para pressionar o Governo a deixar cair a reforma laboral: "Querem é prejudicar o trabalhador, este pacote laboral não alicia minimamente os trabalhadores!", argumenta Marta Esteves.

Vários partidos políticos marcaram presença na manifestação, do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo ao coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, passando pela líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes. Estes são já presença habitual, a principal diferença deste ano foi a passagem fugaz do líder do PS, José Luís Carneiro. Mas nem todos gostaram de o ver por lá.

"Não compreendo. O secretário-geral do PS deixa passar um Orçamento de direita que é contra os trabalhadores. Na altura, sabia que o Governo ia apresentar o pacote laboral", atira José Manuel Rosa, de cravo ao peito.

Este manifestante vinca: "Deixou passar o Orçamento e agora anda a dizer que o Governo não presta. Para fazer políticas de direita a gente não precisa".

Tiago Oliveira argumentou que o pacote laboral só é apoiado pelo "grande capital" e, por conseguinte, por uma minoria, concluindo que a "maioria" composta pelos trabalhadores vai acabar por derrubá-lo.

O líder da central sindical aproveitou o sol e o apoio para falar sobre o aumento do custo de vida e criticar empresas como a Galp, que voltaram a apresentar lucros extraordinários.

"Isto não é engano, é roubo, é indecente. Isto é roubar o trabalhador. Este é um Governo que vai ao bolso dos trabalhadores, de mãos dadas com o capital", atira Tiago Oliveira.

O líder da central sindical discursou mais de 30 minutos e não deixou de fora as antigas reivindicações, como o aumento de 15% para todos os salários e o limite de 35 horas de trabalho semanal para todo. Mas em Dia de Trabalhador, o pacote laboral foi o protagonista, mesmo que na pele de vilão.

  • Fonte: Rádio Renascença
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