Europa arrisca "vassalagem cognitiva" na Inteligência Artificial, avisa ex-governador do Banco de Portugal

  • 02/05/2026 04:36
  • Redação

"A inflação é a formiga branca da economia" e os bancos centrais podem ser obrigados a “arrefecer” a dança de cadeiras com uma subida dos juros, avisa o ex-governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

No mercado do trabalho, alerta para a revolução que se aproxima, que compara à introdução da eletricidade. Muitos empregos vão desaparecer com a Inteligência Artificial e as novas tecnologias, sobretudo na classe média e média-baixa. As empresas e os trabalhadores que forem mais ágeis na aquisição de novas competências e na adaptação a novas funções serão os que mais beneficiarão desta nova era, garante.

Carlos Costa critica os parceiros sociais por olharem “muito pouco para a frente” e a pouca representação sindical no país e diz que um dos maiores desafios estruturais do país é a falta de dimensão das empresas: muitas são micro ou pequenas, o que limita a capacidade de inovação, investimento e expansão.

Durante a conversa, Carlos Costa analisa, ainda, o investimento público, a reforma do Estado, o acesso à habitação e a sustentabilidade das contas públicas. Avisa que “não podemos mandar às malvas o equilíbrio orçamental”, mas a eventual entrada da economia em défice já este ano, como antecipam a Comissão Europeia, a OCDE e o FMI, não será nenhum drama, desde que seja “reversível”.

Na banca, o governador elogia a diversidade das instituições a operar em Portugal. Defende a garantia pública no crédito jovem para habitação e explica o que pode ameaçar a medida. Comenta também a venda forçada de ações por parte do novo governador Álvaro Santos Pereira, que reforçou o investimento já depois de tomar posse.

  • Fonte: Rádio Renascença
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