Mais de metade dos alunos do 1º ano tem falhas graves na leitura
- 04/05/2026 05:30
- Redação
Crianças no pré-escolar com dificuldade em aprender letras e sons, "desempenho abaixo" do recomendado para metade dos alunos do 1º ano, desigualdades associadas ao contexto familiar e pobres hábitos de leitura. Um novo estudo divulgado esta segunda-feira revelou a avaliação da literacia em Portugal junto de alunos do pré-escolar, do 1º e do 2º ano do Ensino Básico.
O estudo foi implementado no ano letivo 2024/2025, em 184 escolas do continente, avaliando mais de 6.500 alunos, em três momentos diferentes.
Relativamente às crianças do pré-escolar, Isabel Leite refere que foram avaliados “esses conhecimentos e competências que são os alicerces da leitura e da escrita”.
De acordo com as conclusões do Projeto LER, no pré-escolar há uma grande margem de melhoria para a maioria das crianças ao nível do conhecimento de letras e capacidade para identificar os sons da fala.
Isabel Leite defende que “há muito trabalho a fazer de forma lúdica para que as crianças desenvolvam as suas capacidades” e “no sentido de garantir que todas as crianças iniciam a sua escolaridade formal em igualdade de condições”.
Esta professora da Universidade de Évora considera fundamental “aumentar o nível de equidade neste ponto de partida”.
De acordo com as conclusões deste estudo, no desempenho da leitura, cerca de 50% das crianças do 1º ciclo não foi além das 37 palavras por minuto e 25% delas, um quarto dos alunos, liam menos do que 21 palavras por minuto.
Estes resultados levam Isabel Leite a sublinhar que este é “um desempenho claramente abaixo dos referenciais”.
Ressalvando que é preciso ter alguma cautela na comparação com os referenciais de 2015 (Programa e Metas Curriculares), a coordenadora do Projeto Ler lembrou que o desempenho pode variar consoante seja a leitura integral de um texto ou de palavras retiradas de forma aleatória de um texto.
“O desempenho apontava para 40 palavras por minuto se fossem de um texto. Já se fossem palavras extraídas de forma aleatória de um texto, essas metas apontavam para cerca de 55 palavras por minuto, como objetivos mínimos."
Tanto no pré-escolar como no 1º e 2º ano, a “enorme variabilidade no desempenho das crianças é muito marcada pela influência da família, ou seja, do nível educacional dos pais”, sublinhou Isabel Leite.
A Presidente do Conselho Consultivo do EDULOG salienta que, “numa aprendizagem que depende sobretudo da instrução, a família pode marcar o ritmo com que as crianças aprendem".
"A escola pode não ser capaz de conseguir compensar as crianças que, no seio da família, não encontram esse apoio."
Ao fazer-se a comparação entre o desempenho de alunos de escolas públicas e os de escolas privadas, as diferenças praticamente desaparecem quando entra em consideração o nível educacional das famílias.
Para melhorar desempenhos, a leitura e a escrita “devem andar sempre de mãos dadas, porque reforçam-se mutuamente”, acredita Isabel Leite, explicando que “alternar exercícios de leitura com exercícios de escrita são muito bons” para consolidar conhecimento.
Isabel Leite referiu ainda que “é fundamental que o professor, quando ensina a ler, introduza as letras de forma progressiva, gradual, começando pelas mais fáceis” e alertou que não se pode ensinar só a letra: “tem de fazer a correspondência com o fonema, com o som".
"À medida que isto é feito, a criança vai tendo sucesso e automaticamente vai estando cada vez mais motivada para aprender novas letras e novas correspondências", indicou a representante, relembrando que a leitura diária impulsiona a aprendizagem.