Lucro do BPI cai 2% no início do ano, para 133 milhões

Lucro do BPI cai 2% no início do ano, para 133 milhões

  • 04/05/2026 09:52
  • Redação

O BPI registou uma queda de 2% no lucro nos primeiros três meses do ano, face ao período homólogo, para 133 milhões. Contando só com a operação em Portugal, a queda é de 8%, para 90 milhões de euros.

A explicar estes resultados está uma descida de 3% da margem financeira, a diferença entre os juros cobrados e recebidos, são 216 milhões a menos nas contas do banco.

Já as comissões cobradas renderam 79 milhões, o que representa uma subida no encaixe de 5%.

Os empréstimos concedidos aumentaram. O crédito a particulares subiu 10% para 18,9 mil milhões de euros. Só para compra de casa os empréstimos aumentaram 11%, para 17,5 mil milhões.

Parte deste crédito inclui a garantia pública para os jovens. Até ao final de março o BPI concedeu 6.600 empréstimos, no valor de 1,3 mil milhões de euros, com a garantia estatal.

O Banco de Portugal já avisou que pretende apertar as regras de concessão de crédito, depois de a garantia pública ter feito disparar os riscos.

Ainda assim, o presidente executivo do BPI não se mostra preocupado. João Pedro Oliveira e Costa diz que o banco está "tranquilo com qualquer medida que venha a ser imposta e vamos cumpri-la com todo o rigor". Acrescenta ainda que "no crédito jovem não temos nenhum nível de preocupação” e "iremos continuar, garantindo sempre o cumprimento das regras de supervisão que nos são impostas".

O CEO explica que as taxas de esforço estão "dentro dos parâmetros definidos" e que "estamos a falar de crédito em média de 200 mil euros". Além disso, "há uma análise muito rigorosa de todos os mutuários que têm capacidade de pagar o crédito", garante João Pedro Oliveira e Costa.

Neste momento, o BPI e a Caixa Geral de Depósitos são os bancos que mais empréstimos concederam com a garantia pública. "Ficámos a saber que estamos na liderança com a CGD", diz o CEO.

Em contraciclo, o crédito ao consumo caiu 5%, para 1,4 mil milhões. O crédito para empresas aumentou, para 12,7 mil milhões de euros.

Os custos aumentaram 4% para 132 milhões de euros, influenciados sobretudo pelos gastos com pessoal. Entre março de 2025 e o mesmo mês deste ano, o BPI contratou mais 269 trabalhadores, no final de março empregava 4.544 funcionários.

O presidente executivo do BPI critica a demora nas negociações das alterações à legislação laboral. "É um exemplo do país adiado", defende João Pedro Oliveira e Costa, "não sei se andamos a discutir vírgulas".

As negociações já decorrem há mais de 9 meses, sem qualquer garantia de um acordo em Concertação Social.

Para o CEO, esta demora "não é o tipo de situações de que o país precisa em vez de discutirmos o tema maior". Diz que não quer "politizar" a discussão, mas é preciso resolver a questão do “mercado laboral jovem, tão mais fraco que a média europeia e um dos aspetos é a rigidez".

Lembra que “Portugal está num mundo global e temos de encarar isto". Até porque "conseguimos na Europa alcançar um nível de bem estar significativo e temos de preservar esse bem estar garantindo direitos alcançados e princípios que não podem ser ultrapassados, mas temos de olhar para o mundo de outra maneira", sublinha.

  • Fonte: Rádio Renascença
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