"É incómodo para alguns homens perder contra mulheres". Filipa Pipiras chega ao topo no xadrez
- 05/05/2026 04:30
- Redação
O percurso de Filipa começou de forma improvável, num torneio escolar em que participou quase por acaso. Ao longo dos anos, foi acumulando títulos nos escalões jovens e experiência internacional, até perceber, em 2022, que podia competir com jogadoras profissionais.
Hoje, a realidade da jovem jogadora é marcada por um equilíbrio exigente. Estudante de Medicina, Filipa divide o tempo entre aulas, estudo e treinos.
O xadrez continua a ser um meio maioritariamente masculino, e Filipa fala abertamente sobre o sexismo que já sentiu.
“Claro que já senti isso, especialmente quando era mais nova”, afirma, sublinhando que a menor representatividade feminina acaba por influenciar o ambiente competitivo.
A jogadora admite que essas situações foram mais evidentes no início da sua carreira, mas que ainda persistem. Deixa uma reflexão direta sobre o problema: “Acho que é simplesmente incomodativo para o homem perder contra uma mulher num jogo que é considerado mental”.
Para Filipa, esta reação está muitas vezes ligada “a uma questão de ego”.
Dentro deste jogo, o desgaste também é significativo, e muitas vezes subestimado.
“Já tive partidas que demoraram mais de seis horas”, refere, o que exige uma grande resistência mental e concentração prolongada.
O título de grande mestre feminina não é um ponto de chegada, mas antes um passo intermédio. O próximo objetivo é alcançar o título de mestre internacional absoluto, competindo ao mais alto nível.
Paralelamente, Filipa observa com entusiasmo o crescimento do xadrez entre os jovens. Na sua perspetiva, houve uma mudança clara nos últimos anos: “anteriormente o xadrez era visto como aquele jogo para os inteligentes e nem era visto como uma coisa fixe”, mas hoje a realidade é diferente.
“Na minha escola secundária e até agora na universidade, eu vejo pessoas a jogar xadrez no computador, no telemóvel”, refere, associando esta transformação ao período da pandemia e à popularidade de conteúdos como a série "The Queen’s Gambit".
Filipa Pipiras surge, assim, como um dos rostos mais relevantes desta nova fase do xadrez em Portugal.
Entre conquistas, desafios e ambições, o seu percurso eleva o nome do país na modalidade, além de ajudar a abrir caminho para uma geração mais diversa e cada vez mais interessada em jogar.