PSP tem "tolerância zero" perante alegações como a de tortura em esquadra de Lisboa
- 05/05/2026 09:24
- Redação
O diretor nacional da PSP reiterou esta terça-feira que a instituição tem "tolerância zero" perante alegações de tortura de detidos na esquadra do Rato, em Lisboa, defendendo que os cidadãos "podem continuar a confiar" na polícia.
"A Polícia de Segurança Pública tem cerca de 20 mil homens e mulheres" que diariamente trabalham para manter Portugal entre os países mais seguros, afirmou Luís Carrilho, garantindo que "alegações de má conduta têm tolerância zero". As declarações foram feitas à margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidade Especial de Polícia, em Belas, Sintra.
Ao lado do ministro da Administração Interna, Luís Neves, o diretor nacional reforçou que os cidadãos "podem continuar a confiar na Polícia de Segurança Pública".
"Gostaria que não tivesse acontecido. Aconteceu", admitiu, sublinhando que as alegações têm de ser investigadas e que situações deste tipo fazem parte da vida das instituições.
Entretanto, decorrem novas diligências de investigação ao caso de alegada tortura na esquadra do Rato, podendo resultar em mais detenções de polícias, segundo indicou o ministro da Administração Interna.
O governante esclareceu que os suspeitos são todos polícias no ativo, que poderão ter estado ligados a comportamentos desviantes ocorridos em 2024 e 2025.
Esta é a terceira operação policial desde julho de 2025, relacionada com alegações de tortura e violação de detidos, maioritariamente toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.
Na primeira operação, dois agentes da PSP (22 e 26 anos) foram detidos e vão a julgamento por crimes de tortura, violação e abuso de poder, conforme decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, a 27 de abril de 2026.
Posteriormente, em março de 2026, outros sete polícias foram detidos e encontram-se em prisão preventiva, aguardando o desfecho da investigação.
O caso, denunciado pela própria PSP, originou nove processos disciplinares e um processo de inquérito, incluindo a análise a agentes que assistiram e partilharam vídeos das agressões num grupo de WhatsApp, segundo o inspetor-geral da Administração Interna, Pedro Figueiredo.