Mais 15 polícias e um civil detidos no caso de alegada tortura no Rato
- 05/05/2026 10:01
- Redação
Dezasseis pessoas foram detidas esta terça-feira no âmbito da investigação a alegados episódios de tortura na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa.
Segundo o comunicado da PSP, “encontram-se em curso 14 buscas domiciliárias e 16 não domiciliárias”, sendo estas últimas realizadas em esquadras da PSP.
As autoridades confirmam ainda que foram “emitidos 15 mandados de detenção para polícias da PSP e um para um civil”, no âmbito do inquérito conduzido pelo DIAP de Lisboa.
Em investigação está a “alegada prática de crimes como tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas”, considerados de elevada gravidade.
As diligências são coordenadas por 14 magistrados do Ministério Público e contam com apoio operacional da PSP. O processo encontra-se em segredo de justiça.
A PSP garante que “continuará a colaborar com as Autoridades Judiciárias […] para o apuramento integral dos factos e para a realização da justiça”.
À margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidade Especial de Polícia, em Belas (Sintra), Luís Neves explicou que as operações em curso poderiam resultar em mais detenções, dependendo das provas recolhidas.
O governante esclareceu ainda que todos os suspeitos são polícias no ativo, alegadamente ligados aos comportamentos considerados irregulares ocorridos entre 2024 e 2025 naquela esquadra.
Esta é já a terceira operação policial desde julho de 2025, relacionada com denúncias de tortura e violação envolvendo detidos — maioritariamente pessoas vulneráveis, como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.
Na primeira operação, dois agentes (22 e 26 anos) foram detidos e irão a julgamento por crimes de tortura, violação e abuso de poder, conforme decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa a 27 de abril de 2026.
Posteriormente, em março de 2026, outros sete polícias foram detidos e permanecem em prisão preventiva, aguardando o desfecho da investigação, que poderá levar — ou não — a acusações por parte do Ministério Público.