Sabalenka e Gauff admitem boicotar Roland Garros devido a prémio monetário

Sabalenka e Gauff admitem boicotar Roland Garros devido a prémio monetário

  • 05/05/2026 15:27
  • Redação

Aryna Sabalenka e Coco Gauff, números um e quatro do ténis mundial, admitem não participar em Roland Garros se o prémio monetário para o terceiro torneio do Grand Slam do ano não aumentar.

"Penso que a certo ponto vamos boicotar [Roland Garros], sim. Sinto que vai ser a única forma de lutarmos pelos nossos direitos. Vamos ver o quão longe conseguimos chegar, se vai ser preciso os jogadores boicotarem. Algumas coisas são muito injustas para nós", lamentou Sabalenka, esta terça-feira, numa conferência de imprensa prévia ao Open de Roma.

Em causa está o valor do bolo de prémios, em comparação com as receitas do torneio. A organização anunciou um aumento de 9,5% do "prize money", para 61,7 milhões de euros, no entanto, jogadores e jogadoras (ATP e WTA estão ambas envolvidas) continuam insatisfeitos. Isto porque este valor equivale a menos de 15% das receitas esperadas, o que fica bastante aquém dos 22% que recebem nas provas de categoria Masters 1.000.

Sabalenka, signatária de uma carta aberta de vários jogadores do top-10 masculino e feminino, juntamente com nomes como Carlos Alcaraz, Jannik Sinner, Coco Gauff e Iga Swiatek, pede melhor tratamento.

"Quando olhamos para os valores gerados pelos torneios do Grand Slam e o que os jogadores recebem... Somos nós que dá espetáculo. Sem nós, não haveria torneio, nem entretenimento. Por isso, acreditamos que merecemos, indubitavelmente, uma fatia maior das receitas", diz.

Coco Gauff, que também assinou a missiva dos jogadores, admite que consegue "100% ver" um eventual boicote a Roland Garros. Para a norte-americana, esta é uma luta "pelo futuro do ténis, mas também por todos os jogadores que, atualmente, não recebem tantos benefícios como os tenistas de topo, em relação a patrocínios e coisas do género".

"Nós [os mais cotados] fazemos dinheiro fora do court. Mas se olharem para jogadores dos lugares 50 a 100, 50 a 200 [do ranking], e quando dinheiro cada 'Slam' faz, é infeliz que a maioria dos 200 melhores tenistas do mundo vivam recibo a recibo", afirma Gauff, também em Roma.

Gauff sugere, ainda, que os jogadores criem um sindicato, dando como exemplo o princípio de acordo alcançado na NBA feminina.

"Pelo que vejo de outros desportos, normalmente é preciso um sindicato para fazer grandes progressos em temas como este", refere.

Sabalenka foi a primeira a admitir um possível boicote. Ainda assim, a bielorrussa também acredita numa solução positiva: "Espero mesmo que, com todas as negociações que temos tido, consigamos chegar à decisão certa e a uma conclusão com que todos ficaremos felizes."

Caso as negociações cheguem a bom porto, Aryna Sabalenka e Coco Gauff são esperadas na terra batida de Roland Garros. Curiosamente, são as duas finalistas de 2025, quando a norte-americana, atual número quatro do mundo, arrecadou o troféu à bielorrussa, número um.

  • Fonte: Rádio Renascença
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