Primeira stablecoin portuguesa é lançada esta quarta-feira

Primeira stablecoin portuguesa é lançada esta quarta-feira

  • 05/05/2026 19:00
  • Redação

Portugal passa a ter a partir desta quarta-feira stablecoins, uma aposta do Bison Bank, banco português de investimento que nasceu do Banif. É uma iniciativa pioneira no país. Já existem stablecoins famosas no mercado internacional e na Europa são ainda pontuais as emissões.

As stablecoins estão um passo à frente relativamente aos criptoativos, mas ainda não têm a estrutura de uma moeda digital emitida por bancos centrais.

“É um token de moeda eletrónica, ou um electronic money token”, explica António Henriques. “Não é uma moeda, mas é equivalente a uma moeda no sentido em que é representado por um token, digital suportado em blockchain, que está depois suportado pela sua equivalência na moeda em que está indexado”, acrescenta.

A vantagem das stabeloins é que estão associadas a ativos ou moedas, o que lhes garante estabilidade. Já os criptoativos são altamente voláteis, “não permitem estabelecer um preço para os bens, nem preservar o poder de compra”, alerta o Banco de Portugal.

Neste caso, o Bison Bank avança com a stablecoin em duas versões: o EUB, indexado ao euro, e o USB, indexado ao dólar.

“Um cliente que tenha um EUB, na verdade, é equivalente a ter um euro, porque pode sempre trocar esse token junto do Byzantine Bank e receber um euro”, explica António Henriques. O mesmo acontece com o USB, mas será trocado por dólares.

O objetivo é “melhorar o processo de transferências internacionais”, diz o CEO do Bison Bank. “Nós acreditamos muito que as empresas financeiras internacionais, se usarem o nosso token, podem reduzir a incerteza que existe quando alguém tenta fazer um pagamento de um país para outro através de euros ou de dólares”.

Fora da União Europeia, as transferências de dinheiro são operações rodeadas por muita incerteza. “Eu nunca consigo dizer quanto tempo vai demorar, nem sei quantos intermediários é que vão estar no meio”, lembra.

Com as stablecoins o Bizon Bank quer “ter a certeza que quando um cliente quer transferir de Portugal para Singapura, o seu dinheiro chega no próprio dia e que a disponibilização ao destinatário vai depender apenas do processo de avaliação de compliance, com o mínimo de intermediários possíveis pelo meio”. Esta simplificação também garante custos de transferência mais baixos, assegura o CEO.

Para já, esta stablecoin “só vai poder ser utilizada por entidades reguladas e que estejam muito próximas das instituições financeiras, por exemplo, bancos, instituições de pagamento, instituições de moeda eletrónica ou empresas de ativos digitais”, diz.

No entanto, não está afastada a possibilidade deste token vir a ser utilizado também por particulares. “Pode ser um passo seguinte”, admite António Henriques.

O CEO garante que o banco avança com prudência. “Nós não temos a expectativa de ter este ano um crescimento muito grande do ponto de vista quantitativo, se conseguirmos emitir 5 milhões de tokens ficaremos contentes e ficará dentro do nosso orçamento”, diz.

Estas stabecoins ainda não são uma verdadeira moeda. O BCE está a estudar o lançamento do euro digital, que a confirmar-se irá garantir as vantagens da digitalização, “sem riscos de liquidez e de solvência”, explica o banco central.

Enquanto isso, estas stablecoins funcionam como “refúgio”, quando os investidores querem evitar as oscilações dos criptoativos, sem passar os ativos para a moeda física tradicional, e garantem mais rapidez nas transferências internacionais.

“Queremos assegurar que temos outros membros a quererem aderir e a entenderem que efetivamente o mercado financeiro pode ainda melhorar naquilo que é a sua capacidade de entregar experiência aos nossos clientes, neste contexto mais internacional”, diz o CEO António Henriques.

  • Fonte: Rádio Renascença
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