Capicua ajuda a falar de guerra, paz e democracia em peça para crianças

Capicua ajuda a falar de guerra, paz e democracia em peça para crianças

  • 07/05/2026 01:03
  • Redação

“O mundo que habitamos está particularmente bagunçado”. O diagnóstico é de Cátia Pinheiro, uma das criadoras do espetáculo “Guerra e Paz” que, depois de ter estreado em Ílhavo, chega este sábado ao Porto, ao Teatro Carlos Alberto.

Com o título inspirado na obra de Lev Tolstoi, “Guerra e Paz” é um espetáculo para crianças entre os seis e os 10 anos assinado por Cátia Pinheiro e João Nunes, em parceria com a rapper Capicua.

São “temáticas que são urgentes discutir para que o mundo fique um bocadinho menos bagunçado”, diz a autora, que quer pôr a geração futura a pensar.

“Torna urgente criar espaços de reflexão partilhada”, aponta. Para desenvolverem o texto a Companhia Estrutura fez trabalho de campo. Houve um processo de escuta dos alunos de escolas de várias regiões do país.

“Fizemos um périplo por várias escolas para falar diretamente com as crianças e perceber como é que elas pensavam, ou o que é que sabiam sobre estes temas. A coisa que mais nos diziam é que são os adultos que fazem as guerras, porque as crianças resolvem muito facilmente os assuntos ou esquecem rapidamente.”

Foi por isso desafiante abordar temáticas complexas como os conflitos. “São conceitos muito complexos de se explicar, mas chegamos à conclusão que a forma mais fácil era ir buscar pequenos exemplos do quotidiano que as crianças passam no recreio da escola, e ver a forma como lidam com os seus pares e com os adultos”, diz Cátia Pinheiro.

A parceria com Capicua não faz deste um espetáculo musical. “Não é aquilo que as pessoas estão à espera que seja, ou seja, não vamos ver um concerto da Capicua, até porque a Capicua não entra no espetáculo”, sublinha.

“A Capicua escreve connosco e propôs pequenos momentos de escrita em que existem lenga-lengas, principalmente para explicar aos mais novos estes conceitos densos. Optamos na escrita por fazer uma espécie de textos mais rimados e ritmados, de forma que seja mais fácil”, diz Cátia Pinheiro.

Em palco três atores cruzam várias linguagens como a música e o vídeo. “O mundo é moldado por todos, mas o futuro será moldado por este público. Se nós, nestas idades, tentarmos explicar conceitos básicos de convivência mútua, de justiça ou de empatia, acreditamos que será uma mais-valia para o futuro do planeta que habitamos”, refere a autora.

Depois do Teatro Carlos Alberto, a peça vai percorrer outros palcos do país. “A seguir iremos a Leiria, depois Gouveia e Faro mais para o fim do ano. Depois, no próximo ano, teremos Lisboa, no CCB e Lamego”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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