Lei Laboral. Sindicatos e Governo ainda podem chegar a acordo?
- 07/05/2026 03:42
- Redação
Pode ser o dia decisivo para a reforma laboral. Após 9 meses de negociações e sem acordo à vista, os parceiros sociais voltam a sentar-se à mesa. Será a última tentativa para um entendimento entre o Governo e a UGT.
O facto de haver medidas que o Governo considera essenciais para a reforma, mas que a UGT vê como linhas vermelhas.
Nesta proposta de alteração à lei laboral, o Governo defende a necessidade de um mercado de trabalho mais moderno e mais competitivo e, para isso, quer alterar mais de uma centena de artigos. Só que, nove meses depois, ainda não foi possível desbloquear o acordo.
São várias, mas o ponto mais sensível é a possibilidade de alargar a não reintegração de um trabalhador, mesmo que tenha sido despedido sem justa causa - algo que, atualmente, só é possível em cargos de direção e nas microempresas.
A UGT entende que isso pode incentivar os despedimentos ilegais, em vez de repor a relação laboral.
O Governo aponta como contrapartida o aumento da indemnização mínima de 30 para 45 dias por ano. Mas a divergência mantém-se, porque a UGT considera preferível o direito à reintegração.
A proposta do Governo também mexe nos limites: contratos a termo certo até três anos e a termo incerto até cinco anos.
Governo e patrões consideram que isto dá flexibilidade e capacidade de resposta a choques e ciclos económicos; do lado sindical, o receio é que isso possa significar mais tempo em precariedade antes de um vínculo estável.
Porque mexe num ponto muito sensível do trabalho: quem é que controla o tempo e em que condições. A UGT tem defendido que o banco de horas por acordo tem de estar ao abrigo da contratação coletiva e não apenas dependente de um entendimento um a um entre trabalhador e empregador.
O banco de horas permite aumentar temporariamente o horário e compensar depois com folgas, férias ou pagamento, em vez de tratar esse tempo como horas extra imediatas.
No modelo individual, o limite típico é de mais duas horas por dia, podendo chegar às 50 horas por semana e às 150 horas por ano.
E levanta outra questão: imprevisibilidade, porque as empresas olham para isto como flexibilidade para responder a picos de trabalho, mas, na verdade, pode dar azo a desregulação dos horários e pior conciliação com a vida familiar.
O diploma segue para o Parlamento. O Governo argumenta que já há muitas matérias que estão fechadas, incluindo algumas que foram propostas pela UGT.
Mas, no Parlamento, o jogo muda: deixa de haver acordo social e passa a ser aritmética política. E aí, o PS já disse que chumba a proposta do Governo, assim como o Chega que apresenta como contrapartida a descida da idade legal da reforma para aprovar a reforma.
Portanto, isto pode empurrar o tema para uma disputa prolongada que pode aumentar o conflito social. De resto, está já marcada uma greve geral para 3 de junho.