Força Braga, mas cuidado com este Friburgo

Força Braga, mas cuidado com este Friburgo

  • 07/05/2026 05:45
  • Redação

A 2ª mão da meia-final da Liga Europa, aqui em Freiburg “capital da Floresta Negra”, está rodeado de entusiasmo; não apenas do lado do SC Braga. O golo marcado por Dorgeles, ao cair do pano, na “pedreira”, elevou os patamares de confiança da equipa e dos adeptos minhotos, mas, atenção, não retirou esperança aos alemães. Julian Schuster e Matthias Ginter, sublinharam, na antevisão ao jogo, o sentimento de união que se vive aqui na cidade, perante a possibilidade de o SC Freiburg (Friburgo, para facilitarmos) chegar pela primeira vez a uma final europeia.

Confesso que o emblema alemão me desiludiu na 1ª mão, sobretudo porque tinha acompanhado com alguma atenção os dois jogos dos quartos de final contra o Celta de Vigo. Quer na Alemanha, quer na Galiza, viu-se um Friburgo a praticar um futebol afirmativo na procura do golo (marcou seis no conjunto dos dois jogos).

Em Braga, não fora o golo oferecido por uma conjugação de erros defensivos, dificilmente o Friburgo teria marcado, tal a timidez com que se apresentou. Dá para desconfiar. Este Friburgo vale mais do que aquilo que mostrou em Braga, seguramente.

Esta noite, a equipa vai entrar em campo, empurrada para a Final, por mais de 30 mil espetadores. O Braga pode esperar uma atmosfera de forte apoio à equipa da casa. A esperança do Friburgo chegar à grande Final de Istambul está intacta; um golo que seja, reabre por completo e eliminatória e à equipa não faltam bons argumentos no ataque. É verdade que hoje não há Yuito Suzuki, mas a ausência do japonês não impede que o experiente Vincenzo Grifo e o “gigante” Igor Matanovic (1,95m) possam fazer mossa.

Se a presença na Final se decidisse pela autoestima e confiança medidas na sala de imprensa do Europa Park Stadion, o Braga teria goleado e já estaria a preparar as malas para rumar a Istambul. Do lado do Friburgo vimos um Ginter gélido (nem parecia um jogador que vai disputar uma autêntica final na cidade onde nasceu) e um Julian Schuster a sublinhar que equipa e adeptos devem estar preparados para um Braga que vai ter bola e que a sabe usar com qualidade e critério. Não disse mentira nenhuma. O que me chamou a atenção foi a forma insistente como o fez, fosse para preparar os adeptos para o pior cenário, fosse para mentalizar os jogadores de que a 2ª mão desta meia-final será tão ou mais difícil do que o primeiro jogo.

Já no Braga, Carlos Vicens e João Moutinho compareceram perante os jornalistas a transbordar confiança, apesar do repetido reconhecimento de que o desafio desta noite se reveste de dificuldade máxima. Que bom foi ouvir Carlos Vicens dizer que este Braga “tem de ser Braga”, que cada um tem de “acreditar e ajudar o colega que está ao seu lado”, que a equipa “está a um jogo de poder disputar uma Final porque acreditou no processo”.

E que bom foi ver João Moutinho declarar que por ele “jogava sempre os 90 ou os 120 minutos se necessário” e que quer muito esta Final como todos os outros companheiros de equipa. João Moutinho tem 53 jogos nas pernas esta época; no total, mais de 3500 minutos em campo. Até custa a acreditar, mas é isto; com a qualidade que todos lhe reconhecem, com o encanto que coloca em cada passe e que, na última noite, revelou em cada resposta aos jornalistas aqui em Freiburg, onde não faltará apoio ao Braga, quer dos portugueses residentes na Alemanha e países vizinhos, quer das largas centenas que ao logo do dia chegarão de Portugal.

Insisto numa ideia: cuidado com este Friburgo que, não estando a viver uma boa fase, vale mais, bem mais do que mostrou em Portugal. A confiança do Braga não pode inebriar os adeptos e muito menos colocar a equipa numa traiçoeira zona de conforto. Em todo o caso, este Braga tem condições de poder repetir aqui na Alemanha o que fez em casa, faz hoje oito dias, e avançar para a Final da Liga Europa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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