Além da Rússia e Israel, a presença dos EUA em Veneza também deveria ser contestada, diz artista Alexandre Estrela

Além da Rússia e Israel, a presença dos EUA em Veneza também deveria ser contestada, diz artista Alexandre Estrela

  • 08/05/2026 01:10
  • Redação

As águas estão agitadas em Veneza e a somar à contestação política, Alexandre Estrela acrescenta um ingrediente. Além da Rússia e de Israel, na opinião do artista também a presença norte-americana deveria ser alvo de contestação. “É um momento ultra difícil. Acho que a pressão tem de ser feita”, aponta o artista.

A cada sismo, a instalação de Alexandre Estrela emite um som intenso que obriga a “congelar” a entrevista. É esse o efeito que o artista quer pôr em evidência, “mas com os cortes de fundos da administração de Trump à agência norte-americana que providenciava os dados, a peça ficou descontinuada”.

Também por isso, Estrela aponta o dedo aos Estados Unidos. O artista teve de “fazer um ‘bypass’ “para voltar “a pôr a peça ativa para este evento”. “O que me interessa aqui também é dizer que estes cortes que foram feitos pela Administração de Trump, foram uma espécie de ataque àquilo que é a ecologia, as ciências e mesmo a investigação básica”.

Com curadoria de Ana Baliza e Ricardo Nicolau, a participação portuguesa funciona assim em interação com a Terra.

“Este trabalho é uma espécie de máquina empática que tem um pano de fundo, que é um desktop com uma paisagem americana e dentro deste espaço, que funciona como uma espécie de caixa de comportamento, são espalhados vários pequenos organismos artificiais”, explica.

Estrela acrescenta: “Este sistema está permanentemente ligado à atividade sísmica do mundo e, cada vez que há um sismo em qualquer região do planeta, é sinalizado e há um som forte, um som de rotura e todos estes pequenos seres mudam de comportamento. Eles são bio sentinelas. Persentem estes sismos e quando os sismos vêm, eles congelam de medo”.

Na opinião do artista, que tem por base de trabalho a investigação, há hoje “uma espécie de instrumentalização da própria arte”. “Aquilo que eu estou a trabalhar é uma defesa da investigação artística básica. Apesar de poder ser político e de poder ter essa leitura, temos algo que não é instrumentalizado”, aponta.

Alexandre Estrela lamenta e considera mesmo “de certa forma injusto” que o trabalho dos artistas esteja no meio da polémica.

“Existem vários tipos de representação aqui, umas apontadas diretamente pelo Estado e outras que são por concurso. Eu estou do lado do concurso. Acho que os Estados Unidos não têm curiosidade nenhuma, sobretudo acho que é uma arte instrumentalizada. Para mim não é investigação artística e eu só vou ver mesmo coisas que tenham a ver com investigação”.

A fechar a entrevista a Terra voltou a agitar-se. Alexandre Estrela diz que é o Planeta a falar. A Bienal de Veneza decorre até ao próximo dia 25 de novembro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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