“Dar ouvidos aos pés”. Podologistas alertam peregrinos para lesões e excesso de esforço

“Dar ouvidos aos pés”. Podologistas alertam peregrinos para lesões e excesso de esforço

  • 10/05/2026 03:30
  • Redação

Há quem faça centenas de quilómetros movido pela fé, mas, pelo caminho, há também corpos que cedem e pés que já não conseguem continuar.

A poucos dias da grande peregrinação de maio a Fátima, os podologistas que acompanham os peregrinos deixam um aviso simples, mas essencial: “dar ouvidos aos pés” pode fazer a diferença entre chegar ao destino ou ficar pelo caminho.

Manuel Portela, da Associação Portuguesa de Podologia, explica que muitas das lesões encontradas resultam da falta de preparação para dias seguidos de esforço intenso, “muitas vezes os peregrinos utilizam um calçado inadequado, sem amortecimento e sem conforto, e acabam por ultrapassar aquilo que o organismo está preparado para suportar”, refere.

Segundo Manuel Portela, as primeiras lesões começam ainda numa fase inicial da caminhada “temos muitas lesões musculares ou ligamentares e processos inflamatórios que têm exatamente a ver com a falta de preparação e com o calçado inadequado para a peregrinação.”

Com o avançar da caminhada aparecem as lesões mais visíveis: bolhas, pele ferida e infeções causadas pelo calor, pela humidade e pelas longas horas com os pés molhados. Entre os problemas mais frequentes estão também as bolhas e feridas provocadas pelo calor, humidade e fricção constante, “temos muitas lesões da pele, nomeadamente bolhas, provocadas pelo sobreaquecimento ou pela humidade. Há situações que podem evoluir para infeções.”

Apesar da maioria conseguir terminar a peregrinação, há casos em que o sofrimento obriga à desistência.

Para apoiar quem segue rumo a Fátima, a Associação Portuguesa de Podologia tem este ano postos de assistência gratuita em Águeda, Pombal e junto ao Santuário de Fátima, “nos dias 9 e 10 estaremos em Pombal e nos dias 11 e 12 junto ao Santuário de Fátima, com voluntários ao serviço daqueles que mais precisam.”

No terreno estão mais de 100 voluntários a prestar cuidados gratuitos aos peregrinos. Ao longo de 22 anos de atividade, a associação estima já ter ultrapassado os 20 mil atendimentos, “as necessidades são muitas. Fazemos cerca de mil cuidados por ano e já ultrapassámos os 20 mil peregrinos apoiados”, revela.

Os especialistas aconselham pausas frequentes, troca regular de meias, pés sempre secos e atenção aos primeiros sinais de dor.

Mas há mais: ”sempre que existir alguma lesão, o ideal é procurar um podologista, enfermeiro ou médico. Há situações que não devem ser tratadas apenas com autocuidados.”

Na estrada para Fátima, a fé pode puxar pelo corpo, mas são os pés que carregam a caminhada inteira.

  • Fonte: Rádio Renascença
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