Shein e Temu em guerra nos tribunais: acusações de cópia em massa abalam gigantes da moda online

Shein e Temu em guerra nos tribunais: acusações de cópia em massa abalam gigantes da moda online

  • 11/05/2026 09:33
  • Redação

A Shein acusou esta segunda-feira a rival Temu de utilizar milhares de fotografias dos seus produtos para promover alegadas cópias de roupa no seu site, no arranque de um julgamento no Tribunal Superior de Londres.

O processo marca mais um capítulo da disputa global entre as duas plataformas de comércio eletrónico, que têm crescido rapidamente nos mercados internacionais graças à venda de produtos de baixo custo, sobretudo roupa, acessórios e artigos eletrónicos.

Durante a sessão, o advogado da Shein, Benet Brandreth, afirmou que a Temu procurou beneficiar indevidamente da posição consolidada da concorrente no setor da moda rápida.

“Esta foi uma tentativa de ultrapassar um operador já estabelecido no mercado e a Temu procurou obter, na nossa opinião, uma vantagem injusta”, declarou o advogado perante o tribunal.

A Shein acusa a plataforma rival de ter utilizado milhares de imagens protegidas por direitos de autor para publicitar produtos semelhantes aos da marca própria da empresa.

Segundo os representantes legais da Shein, a Temu desistiu, entretanto, de contestar as alegações relativas a cerca de 2.300 fotografias captadas por funcionários da empresa, numa atitude que Brandreth comparou a “um arguido que espera para ver se as testemunhas aparecem antes de se declarar culpado”.

A Temu rejeita as acusações e acusa a Shein de recorrer aos tribunais para travar a concorrência.

A plataforma, detida pela PDD Holdings, apresentou uma reconvenção judicial na qual pede indemnização pelos prejuízos sofridos após ter removido milhares de anúncios de produtos na sequência de uma providência cautelar obtida pela Shein.

Além disso, a Temu acusa a rival de práticas anticoncorrenciais, alegando que a Shein obriga fornecedores de moda rápida a assinarem acordos de exclusividade, limitando a possibilidade de trabalharem com plataformas concorrentes. Essa parte do litígio deverá seguir para julgamento no próximo ano.

Os advogados da Temu sustentam que o processo não representa uma tentativa legítima de proteção de direitos de autor, mas antes “uma estratégia para assegurar vantagem competitiva”.

O julgamento, com duração prevista de duas semanas, decorre num contexto de crescente escrutínio regulatório sobre as plataformas de comércio eletrónico chinesas.

Nos Estados Unidos, as duas empresas já avançaram com processos mútuos, enquanto a União Europeia prepara novas regras aduaneiras para encomendas de baixo valor, seguindo o exemplo norte-americano, que eliminou a isenção alfandegária para pequenas compras online.

As alterações poderão afetar significativamente o modelo de crescimento internacional das duas plataformas, fortemente dependente do envio massivo de produtos de baixo custo para mercados ocidentais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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