Pacto na Saúde? É "jogada extremamente arriscada" do Presidente
- 11/05/2026 16:36
- Redação
O antigo ministro do PSD Miguel Poiares Maduro considera que avançar com um Pacto na Saúde é uma "jogada extremamente arriscada" de António José Seguro. Também o socialista Fernando Medina reconhece que consenso será "difícil".
O pontapé de saída foi dado pelo Presidente da República no final do mês de abril, quando anunciou que as conversações entre entidades e partidos serão lideradas por Adalberto Campos Fernandes. O antigo ministro da Saúde já teve a sua primeira reunião há uma semana com Ana Paula Martins, atual ministra da Saúde. Nos últimos dias, os partidos políticos também se apressaram a avançar com os nomes que os vão representar no processo.
O antigo ministro do PSD diz que Seguro está a ir além de Marcelo Rebelo de Sousa, colocando em si a "responsabilidade" e tornando-se "a face do fracasso da inexistência do Pacto para a Saúde". Miguel Poiares Maduro entende que, "ao emprestar um enorme capital político", António José Seguro irá "tornar mais difícil aos partidos políticos – nomeadamente o que está no Governo e ao PS que é o seu partido de origem – que não colaborem ativamente na procura do compromisso".
Do lado dos socialistas, Fernando Medina reconhece a dificuldade do desafio. O antigo ministro das Finanças fala em "inovação" do Presidente da República, mas enaltece as posições diferentes de PS e PSD em matérias de saúde. "As posições dos dois maiores partidos encontram-se muito afastadas", começa por notar.
Miguel Poiares Maduro recorre a uma expressão inglesa – "The proof of the pudding is in the eating" ("A prova do pudim está em comê-lo") – para se expressar sobre o programa do Governo – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Para o social-democrata, "só se sabe se os programas são bons depois de executados". Ainda assim, o antigo ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do PSD diz que "não lhe parece mal" o que foi apresentado do PTRR e que não fica "chocado" com o facto de algumas verbas estrem já previstas noutros programas. Miguel Poiares Maduro considera essa "uma forma normal de alinhar melhor as verbas".
O social-democrata diz ter "confiança" na capacidade de alguns ministros em como o PTRR será cumprido, mas sublinha "que os portugueses também já estão muito cansados de ver programas, apresentações e powerpoints".
Já Fernando Medina considera que o Governo se "precipitou" e que a própria apresentação "lhe tira credibilidade" ao não especificar detalhes. Noutro plano, a nível macroeconómico, o antigo ministro das Finanças considera que o novo programa apenas coloca "um novo rótulo" a medidas já anunciadas.
O socialista entende, contudo, que o programa tem as prioridades bem definidas, mas avisa para a impossibilidade de Portugal concretizar as perspetivas de crescimento económico ao mesmo tempo que são apresentados planos como o PTRR.