Dia internacional do enfermeiro. Há pelo menos 30 mil profissionais em falta em Portugal

Dia internacional do enfermeiro. Há pelo menos 30 mil profissionais em falta em Portugal

  • 11/05/2026 19:50
  • Redação

O cenário não melhora. Em Portugal, faltam, pelo menos, 30 mil enfermeiros e quatro em cada dez profissionais recém-formados prefere emigrar do que ficar a trabalhar no país.

Segundo um relatório do Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE, organização a que pertence a ordem), só o setor público português apresenta uma falta de cerca de 14 mil profissionais, o que o deixa numa situação de “sério colapso”.

“Tendo em conta o setor social, que é um setor altamente fragilizado, eu diria que é provável que tenhamos uma falta de 30 mil enfermeiros no país”, afirma o bastonário, Luís Filipe Barreira. “Formamos perto de três mil enfermeiros por ano, depois há um número muito significativo, quase 40% destes enfermeiros, que abandonam o país, à procura de melhores condições”.

A nível global, o mesmo relatório aponta uma escassez de 5,8 milhões de enfermeiros que – seja em Portugal ou noutros territórios – estão unidos nas queixas a fazer da profissão: esgotamento físico e emocional, stress e ansiedade. “A escassez leva ao esgotamento, claro”.

“É importante a questão da remuneração, mas principalmente a questão da própria estabilidade dos contratos. Nós continuamos a oferecer a estes enfermeiros que acabam o curso contratos de seis meses, que gera muita instabilidade na vida pessoal de cada um”, alerta Luís Filipe Barreira.

Entre os destinos preferidos dos enfermeiros portugueses, o relatório do CIE vem confirmar a mudança de tendência: Reino Unido e Países Baixos já não estão nos lugares cimeiros e o “top” de países é agora ocupado Suíça, Espanha, Bélgica e Emirados Árabes Unidos (EAU).

O mesmo documento estima ainda que a redução das lacunas na mão-de-obra enfermeira a nível mundial permitiria salvar 189 milhões de anos de vida perdidos em mortes prematuras e ainda poupar mais de mil milhões de euros à economia global. As estatísticas do CIE assinalam ainda que, nos últimos 50 anos, a enfermagem dedicada a questões de saúde pública (como a vacinação) permitiu salvar 154 milhões de vidas.

Neste Dia Internacional do Enfermeiro (marcado também por uma greve convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses), a Ordem aproveita para reiterar um pedido feito ao Ministério da Saúde: a criação de um “enfermeiro de família”, quer permitiria um acompanhamento mais próximo aos 1,5 milhões de utentes portugueses que não têm médico de família atribuído.

“É importante para poder fazer a vigilância de saúde desta população, principalmente ao nível da gestão da doença crónica. Os enfermeiros podem ter um papel extraordinário e essencial até mesmo para reduzir as idas às urgências desnecessárias, porque se eu tiver estas pessoas na comunidade estabilizadas, elas não vão recorrer aos serviços de urgência”, defende o bastonário.

Segundo o relatório, 77% das funções relacionadas com cuidados preventivos e 47% com cuidados crónicos podem ser realizadas por enfermeiros, como o acompanhamento de gravidezes de baixo risco ou a prescrição “protocolada” de medicamentos, “ajudas técnicas, dispositivos e materiais de apoio”.

Apesar da atual falta de profissionais, Luís Filipe Barreira rejeita que a criação desta figura seja impossível de implementar atualmente em Portugal. “Nós já formamos o número suficiente de profissionais, só precisamos de os reter”, vinca.

  • Fonte: Rádio Renascença
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