Nuno Artur Silva e a Eurovisão: RTP seguiu Governo "mas devia ter autonomia" na decisão de participar
- 12/05/2026 01:30
- Redação
Nuno Artur Silva, antigo administrador da RTP, considera que o canal público optou por seguir a posição internacional do Governo português face a Israel, mas sublinha que devia ter autonomia para tomar uma decisão sobre participação na Eurovisão.
A nova edição do festival de canção europeu arranca esta terça-feira envolto em polémica, com vários países a boicotar o evento. Entre eles está Espanha, um dos cinco principais financiadores do certame, assim como Países Baixos, República da Irlanda, Islândia, entre outros.
"A RTP preferiu estar resguardada na posição internacional de Portugal. Essa posição, face à decisão tomada pela [Eurovisão] em relação à Rússia, é errada", considera.
Para o ex-secretário de Estado do Audiovisual, a RTP devia ter capacidade de tomar uma decisão, independentemente da posição defendida pelo Governo português, porque esta situação "tem a ver com as televisões públicas e não os governos".
Nuno Artur Silva refere que "é credível haver suspeitas" e é possível "que haja uma tentativa de manipulação dos votos", pelo que a Eurovisão deve clarificar esta suspeita.
"É do interesse geral que se abra uma investigação, um inquérito, para afastar de vez qualquer dúvida", sublinha.
Apesar da polémica, a Eurovisão continua a defender que o festival não é nem pode ser político. No entanto, Nuno Artur Silva aponta que esta edição é das "edições mais políticas, precisamente pelo esforço desesperado de retirar a política".
"É de uma enorme ingenuidade, pelo menos de um enorme cinismo, que um evento desta dimensão não é um acontecimento político. Um evento público é sempre político, mesmo na omissão que procura fazer de questões políticas", realça.