Por que é que estão a aumentar listas de espera em cirurgias cardíacas e oncológicas?

  • 12/05/2026 03:15
  • Redação

Aumentam as listas de espera para cirurgias oncológicas e cardíacas. É o que conclui um relatório da Entidade Reguladora da Saúde relativo ao segundo semestre do ano passado.

Estamos a falar de cirurgias em que foram ultrapassados os tempos máximos de resposta.

Porque há mais entrada de doentes do que capacidade de resposta para realizar cirurgias.

No caso das oncológicas, eram mais de 8.000 doentes à espera de cirurgia; no caso das doenças cardíacas eram 2.700 cirurgias em lista de espera.

Portanto, o relatório da ERS conclui que, no segundo semestre de 2025, o fluxo de cirurgias efetuadas diminuiu, enquanto a lista de espera cresceu, sobretudo em cardiologia.

Porque a procura por primeira consulta nesta especialidade foi a que mais aumentou no segundo semestre do ano passado.

E isto é importante porque a primeira consulta é a porta que se abre para a realização de exames e para decisões que, muitos casos, passam por cirurgia.

Se nas doenças oncológicas, o aumento da espera para primeira consulta foi de 3% - com cerca de nove mil doentes em espera - no caso da primeira consulta de cardiologia, o aumento foi de quase 8,5%, com mais de 28 mil doentes em espera.

Portanto, as listas de espera crescem porque há mais gente a entrar para consulta e menos cirurgias realizadas. Logo, aumenta o número de doentes cujo prazo de resposta já foi ultrapassado.

Não são iguais. Em oncologia, o incumprimento aumenta nos doentes prioritários, o que significa que o atraso está a atingir aqueles doentes que, à partida, são considerados mais urgentes e que o sistema tenta pôr à frente.

No caso das cirurgias cardíacas, a situação é diferente: há muitos doentes cujo tempo máximo de resposta já foi ultrapassado e, mesmo para aqueles que já tiveram primeira consulta, a ERS regista incumprimentos elevados nos tempos de resposta.

E quando uma cirurgia ou uma consulta não acontece no tempo certo, o doente simplesmente não desaparece. Volta à fila de espera e isso empurra os seguintes.

Muito pouco. Em cardiologia, não adianta mesmo nada. Pelo menos, no que toca à atividade programada.

Portanto, encaminhar para fora não ajuda a resolver dentro do prazo. Ajuda a fazer algumas cirurgias, mas não garante rapidez.

  • Fonte: Rádio Renascença
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