Mistério no Mar Báltico: baleia Timmy desaparece após resgate de 1,5 milhões de euros
- 12/05/2026 10:56
- Redação
O jovem macho foi inicialmente avistado a 23 de março, preso num banco de areia próximo da cidade alemã de Lübeck. Apesar de ter conseguido libertar-se por várias vezes, voltou repetidamente a ficar encalhado, sobretudo junto à cidade costeira de Wismar, numa situação que agravou progressivamente o seu estado físico.
A missão de salvamento, estimada em cerca de 1,5 milhões de euros, foi financiada por privados, entre eles Karin Walter-Mommert, proprietária de um dos maiores grupos de cavalos de corrida da Europa. A empresária confirmou esta terça-feira à imprensa alemã que o rastreador instalado no animal nunca transmitiu dados.
Inicialmente, Walter-Mommert tinha afirmado que o equipamento permitiria monitorizar os sinais vitais da baleia, uma declaração que acabou contestada por vários especialistas e organizações ambientalistas, incluindo o Greenpeace.
O investigador de baleias Fabian Ritter considerou que, caso o dispositivo não tenha recolhido qualquer informação, “ seria uma catástrofe total para a baleia e para toda a equipa de resgate ”. O especialista alertou ainda que, se não for possível determinar o destino final do animal, “ toda a operação terá sido em vão ”.
Também o Museu Oceanográfico Alemão, em Stralsund, manifestou fortes reservas sobre a missão. Em comunicado, a instituição afirmou considerar “ altamente provável ” que a baleia tenha morrido e exigiu a divulgação dos dados recolhidos durante a operação para permitir uma avaliação independente.
Desde o início, vários cientistas tinham mostrado ceticismo em relação ao resgate, alertando que o animal poderia não ter forças suficientes para sobreviver após o transporte para águas profundas. Alguns chegaram mesmo a classificar a iniciativa como crueldade animal.
A baleia foi vista pela última vez a nadar no estreito de Skagerrak. As autoridades dinamarquesas já tinham avisado previamente que não pretendiam intervir novamente caso o animal voltasse a encontrar-se em dificuldades, defendendo que a natureza deveria seguir o seu curso natural.
O biólogo marinho dinamarquês Peter Madsen criticou a falta de transparência em torno da operação, afirmando que a ausência de dados “ é muito estranha e pouco profissional ”. Segundo o especialista, a informação parece estar concentrada num pequeno grupo ligado aos organizadores do resgate e ao Ministério do Ambiente do estado alemão de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental.
Até ao momento, nem os responsáveis pela missão nem o ministério esclareceram qual o sistema de rastreamento utilizado.
A polémica intensificou-se ainda mais com relatos contraditórios sobre a libertação da baleia. A veterinária Kirsten Tönnies, que seguia a bordo de um dos navios de apoio, revelou à imprensa alemã que foi impedida de assistir à fase final da operação e criticou a forma como o animal foi solto da barcaça.
Segundo a médica veterinária, existiam “fortes tensões” entre os especialistas científicos e a tripulação responsável pelo transporte da baleia.
Entretanto, os próprios financiadores da missão acabaram por se distanciar da forma como o resgate terminou.
Numa declaração conjunta, Karin Walter-Mommert e o empresário Walter Gunz afirmaram “ distanciar-se expressamente” da forma como Timmy foi libertada, defendendo que “ quaisquer consequências” devem ser assumidas pelos responsáveis operacionais dos navios envolvidos na missão.