Jovens podem receber “voucher” para tirar a carta na escola de condução depois de passarem pelas Forças Armadas
- 13/05/2026 01:30
- Redação
“O espírito desta proposta é, fazendo o jovem este programa de voluntariado, esse jovem tem a oportunidade de tirar a carta, até numa fase posterior à realização deste programa”, diz o líder da JSD.
Questionado sobre como vai funcionar esta iniciativa, uma vez que todas as unidades militares podem não estar habilitadas a dar aulas de condução, João Pedro Louro diz que será garantido através das escolas de condução.
“O jovem ganha a oportunidade de tirar a carta de condução de forma gratuita, isto é facilmente operacionalizável com o IMT ou até com as várias escolas de condução”, afirma o líder da JSD.
Segundo o diploma entregue no Parlamento, o PSD e o CDS recomendam ao Governo a criação do programa "Defender Portugal" que visa "a formação cívica, física e militar de jovens cidadãos e o reforço da ligação entre a sociedade civil e a Defesa Nacional".
Este programa é voluntário, tem a duração de três a seis semanas, uma parte em regime de internato, e é destinado a jovens entre os 18 e os 23 anos.
Em troca, os jovens voluntários que concluam o programa têm direito a "uma retribuição única no valor de 439,21 euros" e a "possibilidade de obtenção gratuita da carta de condução, em estabelecimentos militares habilitados".
O líder da JSD considera que esta é uma medida sensata e a oferta da carta de condução “tem sido dos benefícios que os jovens mais têm valorizado neste programa Defender Portugal”.
A proposta, que o ministro da Defesa, Nuno Melo, não quis comentar, foi também contestada por antigos responsáveis militares que, em declarações ao Público, consideraram a iniciativa “uma inutilidade”, “um remendo” e “um bocado ridículo, face à dimensão do problema”. Confrontado com estas críticas, João Pedro Louro diz compreender a contestação porque seria mais fácil seguir a via do Serviço Militar Obrigatório (SMO).
“O mais fácil era ceder à tentação da obrigatoriedade ou da imposição, mas eu creio que seria um péssimo serviço que fazíamos não só ao país, mas sobretudo às novas gerações e é um tema particularmente caro à JSD, porque foi também graças à JSD que o SMO acabou”, sublinha.
Aliás, o líder da Juventude Social-Democrata defende que as Forças Armadas também devem alterar a sua forma de comunicar com a sociedade de forma a tornar-se mais atrativa aos jovens.
“Também é preciso ver a capacidade das nossas Forças Armadas também se abrirem e terem uma comunicação mais moderna, isto é algo que acontece por exemplo na Alemanha com bastante eficácia, de tornar a comunicação das Forças Armadas mais moderna, mais atrativa e junto da sociedade, com vista a aumentar a sua capacidade de recrutamento”, refere João Pedro Louro.
O deputado do PSD sabe que a solução para atrair mais jovens para as Forças Armadas não passa “única e exclusivamente por este programa, que é um contributo para reforçar a capacidade de recrutamento e da atratividade das Forças Armadas”.
João Pedro Louro espera que a proposta seja aprovada e aceite pelo ministro Nuno Melo e pelas Forças Armadas que têm a responsabilidade de a colocar em prática, porque diz que o Dia da Defesa Nacional não tem conseguido atrair mais jovens para o serviço militar.
“Para tornarmos as Forças Armadas mais atrativas é necessário reaproximar os jovens da realidade das Forças Armadas, que é algo que não tem acontecido com o Dia da Defesa Nacional e por isso aquilo que o PSD e o CDS propõem e que será discutido na Assembleia da República é justamente uma espécie de experiência imersiva”, refere o deputado social-democrata.