Trump não vai "chamar" a China ao conflito do Irão para não mostrar fraqueza
- 13/05/2026 00:17
- Redação
O antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes acredita que o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping não vai desbloquear avanços no conflito do Médio Oriente.
"Se Donald Trump insistir muito na tecla de que precisa da China para acabar com o conflito, está a provar a sua fraqueza", reforça Azeredo Lopes, detalhando que, desse modo, Trump estaria "a exprimir uma debilidade em que necessita do seu adversário estratégico mais importante para vencer um adversário muito menos estratégico e, queiramos ou não, infinitamente menos importante".
As elevadas tarifas comerciais em vigor entre as duas potências poderão ser "uma das dimensões mais importantes da estratégia dos dois países para esta reunião", aponta Azeredo Lopes. O domínio comercial pode ser essencial "para anunciar uma vitória sobre o outro, através de uma redução recíproca do que até agora têm sido instrumentos manifestamente lesivos do comércio internacional".
Azeredo Lopes acredita que a guerra na Ucrânia seja "um dos raros pontos" em que Trump e Xi Jinping vão coincidir: a favor de "uma saída razoavelmente airosa para a Rússia", numa tentativa de mostrar, por parte das potências, "uma intervenção muito importante no regresso à paz neste conflito".
O antigo ministro refere, também, que tanto a China como os Estados Unidos poderão ter interesse em afastar a Europa enquanto fator decisivo na paz na Ucrânia: "Não me parece que nem a China nem os Estados Unidos tenham interesse em que a União Europeia apareça de facto como a grande vencedora de um conflito que muitos davam como perdido."