Infarmed alerta para impacto da guerra no Médio Oriente no abastecimento de medicamentos
- 13/05/2026 05:52
- Redação
O Infarmed alertou os agentes económicos do setor farmacêutico para a necessidade de avaliarem os efeitos indiretos da guerra no Médio Oriente nas cadeias de abastecimento, incluindo a dependência de fornecedores externos e de matérias-primas essenciais à produção de medicamentos e dispositivos médicos.
A decisão surgiu na sequência de uma reunião realizada em abril entre o Infarmed, a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED) e a Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde, entidade representativa da indústria de medicamentos genéricos e biossimilares.
Embora sublinhe que, até meados de abril — data em que decorreu o encontro —, não tinham sido registadas roturas, o Infarmed reconhece que uma eventual escalada do conflito no Médio Oriente poderá afetar a continuidade do fornecimento de determinados produtos de saúde no espaço europeu.
O regulador revelou ainda estar disponível para “dar prioridade máxima” à análise de processos relacionados com o registo de novos fabricantes, caso a situação internacional venha a provocar constrangimentos adicionais. Ao mesmo tempo, pediu às empresas do setor que apresentem avaliações detalhadas sobre os impactos de possíveis subidas de preços.
Segundo o Infarmed, continuará a existir um acompanhamento “de forma próxima” da evolução do conflito, em articulação com as entidades europeias competentes, garantindo a adoção de medidas de prevenção, mitigação e gestão de risco para proteger o abastecimento e a saúde pública.
No final de abril, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) já tinha alertado para dificuldades na aquisição de consumíveis hospitalares, como luvas e sacos, devido ao aumento acentuado do custo das matérias-primas provocado pela instabilidade no Médio Oriente.
Também em abril, o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes, admitiu que os preços dos medicamentos em Portugal deverão aumentar “inevitavelmente”, apontando como principais fatores a inflação e o agravamento dos custos de materiais como plásticos, alumínio e transporte.