Assembleia da Região de Leiria aprova moção de apoio à transformação do Politécnico em universidade
- 13/05/2026 10:02
- Redação
A Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria aprovou uma moção de apoio à transformação do Politécnico de Leiria em universidade, considerando tratar-se de uma “oportunidade histórica” para reforçar o ensino superior público na região Centro.
Na moção, aprovada por unanimidade na reunião da assembleia realizada na terça-feira, na Marinha Grande, lê-se que o plano PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência prevê a conversão do Instituto Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e do Oeste.
Por outro lado, o documento lembra que a Região de Leiria “foi duramente afetada por catástrofes climáticas recentes, nomeadamente incêndios florestais e eventos extremos”, tornando imperativa a adoção de medidas estruturantes que promovam a revitalização económica, a coesão territorial e a retenção e atração de talentos.
“A criação da Universidade de Leiria e do Oeste permitirá uma resposta mais qualificada e diferenciada às necessidades do território, potenciando a investigação aplicada, a inovação e a transferência de conhecimento para os setores produtivos locais e regionais”, adianta a moção, apresentada por um representante da Assembleia Municipal de Castanheira de Pera.
No documento, a Assembleia Intermunicipal “reafirma o seu firme apoio à conversão” do Politécnico em universidade, manifestando “profunda discordância” face aos pareceres negativos emitidos pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.
Para a Assembleia, órgão deliberativo constituído por elementos pertencentes às assembleias municipais dos concelhos integrados na CIM, aqueles pareceres não refletem “as especificidades e potencialidades do território, nem as urgentes necessidades de reforço da oferta de ensino superior público na região Centro”.
Os subscritores propõem que no plano estratégico da futura universidade sejam considerados “a expansão e aprofundamento de áreas estratégicas próximas do território”, entre outras, nos domínios da floresta, da biotecnologia, da economia circular, da resiliência climática e da transição energética.
A moção defende ainda “o estudo da criação de polos especializados nos territórios de menor densidade populacional”, para promover “a coesão territorial, a fixação de competências qualificadas e o combate à desertificação”.
O documento sustenta igualmente “o reforço da articulação com os agentes económicos, autarquias, associações empresariais e centros de investigação”.
Integram a CIM os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
O CCISP criticou a alteração da natureza das instituições antes de aprovado o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, enquanto para o CRUP, “qualquer reconfiguração da rede de ensino superior deve resultar de uma abordagem global, estratégica e integrada” e “assentar numa visão sistémica, orientada por critérios universais, transparência e planeamento”.
O Conselho Intermunicipal da CIM da Região de Leiria, órgão responsável pela direção da comunidade intermunicipal e onde têm assento os presidentes dos dez municípios, rejeitou aqueles pareceres, frisando que a criação da universidade “constitui um passo insubstituível para a reconstrução e o desenvolvimento sustentado de uma região que figura entre os principais motores económicos do país”.
“Uma universidade com investigação e capacidade de formação avançada é o motor que permite ao território responder com maior resiliência a choques futuros e competir nas atividades de maior valor”, sustenta a CIM.