Como uma empresa vendeu cursos dentro de escolas?
- 13/05/2026 13:45
- Redação
Várias famílias terão sido lesadas por uma empresa que vende cursos que custam milhares de euros.
Os encarregados de educação são depois convidados para uma reunião na escola, normalmente ao fim de semana, onde lhes são apresentados os conteúdos pedagógicos como uma extensão do percurso escolar
Muitos pagam pelo curso e alguns até com dificuldade. Os encarregados de educação são levados a acreditar que se trata de um curso ligado à escola.
Para poderem beneficiar de descontos, são pressionados a fazer a matrícula de imediato e a assinar autorizações de débito direto para pagarem mensalidades que podem rondar os 130 euros durante 36 meses.
Muitas vezes, só quando os pais vão ao encontro dos professores ou se dirigem à escola é que percebem que o curso não tem conteúdos curriculares. Muitos já recorreram à Deco para tentarem rescindir o contrato.
A empresa apresenta-se com vários nomes: AILE-Associação Internacional Lusófona para a Educação ou Advance Station, mas também já usou as marcas Act Academy, Skills Gym ou Instituto Unicenter.
Quando aos locais de atuação, há denuncias de casos em escolas de Ponte Lima, Pombal, Torre de Moncorvo, Sintra, Barreiro, Vila Franca de Xira, Porto, Grijó e até dos Açores e da Madeira.
Na sequência das denúncias, o Ministério da Educação enviou um comunicado a todas as escolas com várias orientações onde comunica, também, que revogou a autorização dada à associação usada como “fachada” para a alegada burla e fazer inquéritos nas escolas, já que não correspondem aos fins a que se propunham.
O ministério ordenou uma intervenção por parte da Inspeção-geral da Educação e Ciência. Já aos diretores pediu a suspensão de qualquer colaboração em curso com aquela entidade, lembrando-lhes que devem garantir que as atividades cumprem finalidades educativas.
Isto é, a escola não deve ser utilizada para promoção comercial e os direitos e dados dos alunos e encarregados de educação devem ser protegidos.
A Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas reforçou, nas últimas horas, a mensagem do Ministério da Educação junto dos mais de 800 diretores. A ideia é prevenir os diretores para as atividades desta empresa.