Ensino Superior: “É fundamental rever o modelo de financiamento aos alunos”

  • 14/05/2026 05:32
  • Redação

João Duque admite que a situação pode ser vista por duas perspetivas. “É ver o copo meio vazio. Mas o copo meio cheio é ver que Portugal é o país onde um euro investido em educação mais rende”, afirma.

Segundo o economista, o principal benefício da formação superior é sentido diretamente pelos estudantes. “O benefício da educação é primeiro captado pela pessoa, traduz-se em maior empregabilidade e melhores condições de empregabilidade”, explica, acrescentando que salários mais elevados acabam também por gerar mais receita fiscal para o Estado.

Ainda assim, o comentador alerta para os encargos que dificultam o acesso ao ensino superior, sobretudo para famílias com menos recursos. De acordo com o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos é onde se paga mais por um curso.

Para João Duque, o problema não está tanto nas propinas, mas nos custos associados à deslocação e permanência dos alunos longe de casa. “Não propriamente as propinas, mas habitação, deslocação. Isto tem que ser revisto, tem que haver aqui uma forma de baixar estes custos”, defende.

O economista sublinha também que os estudantes com níveis de formação mais elevados acabam, em média, por ter rendimentos superiores. “Um aluno que sai com licenciatura para o mercado de trabalho, mesmo tendo dois anos de experiência, acaba por ter um rendimento inferior ao de quem entra depois com um mestrado”, exemplifica.

João Duque insiste ainda na necessidade de reforçar os apoios sociais aos estudantes economicamente mais vulneráveis. “Aqueles que não têm condições financeiras para fazer o tal investimento inicial têm de ser apoiados, e isso é muito importante”, afirma.

O comentador critica igualmente a demora nos reembolsos e mecanismos de apoio estatal. “Não se pode pedir a uma família que não tem meios para mandar um estudante no início de setembro para uma universidade e depois apenas tratar de um reembolso em janeiro ou fevereiro”, alerta.

Nesse sentido, defende que “é fundamental rever o modelo de financiamento aos alunos”, de forma a garantir igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior.

  • Fonte: Rádio Renascença
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