“Somos um desejo, não um algoritmo.” Não chamemos defesa ao rearmamento, diz o Papa

“Somos um desejo, não um algoritmo.” Não chamemos defesa ao rearmamento, diz o Papa

  • 14/05/2026 07:33
  • Redação

O Papa alertou esta quinta-feira, numa visita pastoral à Universidade La Sapienza, para “a mentira generalizada de um sistema distorcido, que reduz as pessoas a números, exacerbando a competitividade e abandonando-nos em espirais de ansiedade”.

Este mal-estar espiritual de muitos jovens recorda-nos que “não somos a soma do que possuímos, nem uma substância aleatoriamente reunida num cosmos silencioso. Somos um desejo, não um algoritmo!”, frisou.

Leão XIV apelou ao papel das universidades para quebrarem “uma poluição da razão que, a partir do plano geopolítico, invade todas as relações sociais” e lembrou que a tragédia do século XX não deve ser esquecida, ao invocar o grito "basta de guerras!" dos pontífices anteriores.

O Santo Padre referiu que, no último ano, o crescimento das despesas militares em todo o mundo, e particularmente na Europa, foi enorme: “Não chamemos ‘defesa’ a um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, reduz o investimento na educação e na saúde, mina a confiança na diplomacia e enriquece as elites que nada se preocupam com o bem comum”.

E ainda: “Devemos também monitorizar o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial tanto na esfera militar como na civil, garantindo que não priva as decisões humanas da sua responsabilidade e agrava a tragédia dos conflitos. O que se passa na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinianos, no Líbano e no Irão ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias, que caminha para a aniquilação”.

Interrompido por aplausos, acrescentou: “Os estudos, a investigação e os investimentos devem seguir o sentido oposto: que sejam um ‘sim’ radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!”

Leão XIV propôs também uma segunda área de compromisso partilhado referente à ecologia. “Hoje, a própria implosão de um paradigma possessivo e consumista está a abrir caminho a um novo paradigma: estudar, cultivar e salvaguardar a justiça! Juntamente comigo e com tantos irmãos e irmãs, sejamos artesãos da verdadeira paz”, disse o pontífice.

“Uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, trabalhando pela harmonia entre os povos e pela proteção da Terra. Toda a vossa inteligência e audácia são necessárias”, concluiu o Papa sob intensos aplausos.

A Universidade La Sapienza é a mais antiga e importante de Roma. Em 2008, ficou conhecida pelos protestos à visita de Bento XVI que acabou por cancelar a sua presença, enviando apenas o seu discurso.

  • Fonte: Rádio Renascença
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