Ex-braço-direito de Zelensky fica em prisão preventiva por suspeitas de branqueamento de capitais

Ex-braço-direito de Zelensky fica em prisão preventiva por suspeitas de branqueamento de capitais

  • 14/05/2026 07:27
  • Redação

O antigo braço-direito do Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi colocado em prisão preventiva por ordem do Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia. Andriy Yermak, ex-chefe de gabinete de Zelenskyy, é suspeito de envolvimento num esquema de desvio de fundos e branqueamento de capitais, num caso que está a agravar as tensões políticas em plena guerra e a aumentar a pressão sobre o círculo próximo do chefe de Estado.

Segundo a imprensa ucraniana, o tribunal decretou prisão preventiva por dois meses.

Andriy Yermak, que desempenhou funções como chefe de gabinete de Zelensky, tinha sido formalmente identificado como suspeito na segunda-feira pelas autoridades anticorrupção ucranianas.

Segundo os investigadores, Yermak terá participado num esquema de branqueamento de cerca de 8,5 milhões de euros através de um empreendimento imobiliário de luxo nos arredores de Kiev.

O tribunal anticorrupção fixou uma caução de 140 milhões de hryvnias — cerca de 2,7 milhões de euros — permitindo a libertação do antigo responsável político enquanto decorre o processo judicial.

“Não tenho esse tipo de dinheiro”, afirmou Yermak aos jornalistas após a decisão do tribunal. “A minha equipa jurídica vai recorrer. Vamos usar todos os meios legais para procurar justiça e a verdade”, acrescentou.

A investigação integra uma operação mais ampla, denominada “Midas”, tornada pública em novembro passado, cujo principal suspeito é Timur Mindich, antigo parceiro de negócios de Zelensky.

As autoridades acusam Mindich de liderar um esquema de subornos no setor energético avaliado em cerca de 85 milhões de euros. O empresário nega qualquer irregularidade e encontra-se em Israel.

O caso envolve ainda Oleksiy Chernyshov, aliado de Zelensky e antigo vice-primeiro-ministro, também acusado num processo separado e igualmente a negar qualquer prática ilegal.

A polémica ganhou nova dimensão após meios de comunicação ucranianos e deputados da oposição divulgarem alegadas transcrições de escutas telefónicas relacionadas com o empreendimento imobiliário investigado.

Num dos excertos divulgados, Mindich e uma mulher não identificada discutem propriedades e referem pessoas chamadas “Andriy” e “Vova” — diminutivo informal de “Volodymyr”. Contudo, não existem provas públicas que impliquem diretamente Zelensky, e a agência Reuters refere não ter conseguido verificar de forma independente a autenticidade das transcrições.

O gabinete presidencial ucraniano não comentou o caso, enquanto um conselheiro de comunicação de Zelensky considerou ser “demasiado cedo” para prestar declarações sobre a investigação.

Analistas citados pela imprensa internacional consideram que o processo não representa uma ameaça imediata ao Presidente ucraniano, que beneficia de imunidade enquanto estiver em funções, mas poderá afetar a sua imagem caso avance para uma futura recandidatura após o fim da guerra.

Até à sua saída do Governo no ano passado, Yermak era visto como uma das figuras mais influentes da política ucraniana, frequentemente descrito como o segundo homem mais poderoso do país depois de Zelensky.

A sua demissão integrou uma remodelação governamental destinada a restaurar a confiança na presidência, num contexto de críticas sobre a excessiva concentração de poder em torno do chefe de Estado.

“Tudo isto é resultado da falta de vontade de confiar em profissionais e de alargar o círculo de escolhas, como deveria acontecer especialmente em tempo de guerra”, afirmou a deputada da oposição Iryna Herashchenko, em declarações à televisão ucraniana.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: