Crianças do 3º ano impedidas de entrar na própria escola

  • 14/05/2026 08:50
  • Redação

Ninguém percebe o que se está a passar. Desde março que dezenas de alunos do 3ºA, do terceiro ano da Básica Professora Aida Ferreira, no Bairro Padre Cruz em Lisboa, vivem em bolandas. A baixa da professora da turma virou-lhes a vida do avesso. A eles e aos pais.

Miriam Mendonça tem um dos filhos — uma criança com necessidades educativas especiais — nesta turma.

"Desde março que isto está caótico. Não arranjaram professor substituto, as crianças foram distribuídas por salas do 4º ano, que nem sequer eram do mesmo nível de escolaridade. Entretanto, decidiram não distribuir mais as crianças e fecharam a sala de vez, até nova ordem do Ministério da Educação e até arranjarem um novo professor", conta.

Como não se encontrou solução, continua Miriam Mendonça, a decisão — tomada há mais de uma semana — foi proibir a entrada dos alunos desta turma na escola. Os pais pediram explicações à direção do agrupamento e à coordenadora daquele estabelecimento de ensino. Mas nada.

"Marcam reuniões connosco para nos darem informações e não aparecem, e nós temos as crianças em casa, que querem vir para a escola, o que é normal, é a rotina delas, e estão proibidos de entrar na escola", lamenta Miriam Mendonça, que a seu lado tem outra mãe, Joana Oliveira, que sem escola, fica sem grandes soluções.

"Ou levo o meu filho para o trabalho e fica lá, porque a escola não aceita a criança. Ou tenho de andar a pedir a pessoas para ficar com o meu filho, enquanto eu tenho de trabalhar, porque sou mãe solteira e sou eu que tenho de sustentar o meu filho", explica, acrescentando que tem batido a todas as portas.

"Já falei com o Ministério da Educação, com a DGEstE, que já não tem esse nome, é um outro qualquer... Tem de ser tudo por e-mail, não nos aceitam presencialmente. Já fiz reclamações e nada", lamenta Joana Oliveira, que exige "uma resposta e uma solução da escola, porque isto”, diz, “não é solução".

Da escola, a resposta que receberam, nas últimas horas desta quinta-feira, foi que as crianças da turma podiam voltar a entrar, mas que teriam de sair às 13h45. Para a semana, logo se veria qual seria a solução.

À direção do Agrupamento e o Conselho Pedagógico — que terão sugerido que as crianças continuassem sem aulas — foi proposto pela coordenadora que dois professores da sede de agrupamento, um de TIC e outro de Educação Física, coadjuvassem outros dois professores, de Matemática e de Português, com umas horas livre no horário, e se ocupassem desta turma.

  • Fonte: Rádio Renascença
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