Nuno Correia da Silva quer dar ao CDS a identidade perdida: "CDS e PSD parecem um só partido"
- 15/05/2026 01:30
- Redação
Quatro anos depois, Nuno Correia da Silva volta a candidatar-se à liderança do CDS, porque considera que o partido está igual ao PSD e tem de voltar a ter “bandeiras próprias, defender as suas causas e as suas fronteiras políticas”.
O antigo deputado e secretário-geral do CDS, na liderança de Manuel Monteiro, considera que o partido está distante dos militantes e perdido numa coligação sem conseguir afirmar a sua identidade própria.
“O fundamental é o nosso posicionamento político, é termos uma identidade como já tivemos; o partido dos contribuintes, partido dos pensionistas, o partido de quem produz, o partido da liberdade”, refere o conselheiro nacional.
Nuno Correia da Silva critica, ainda, o distanciamento que a direção do CDS mantém com as bases do partido que se queixam de não serem ouvidos.
“Noto um partido muito, muito, muito distante da direção. E é uma pena, o partido é um partido cheio de quadros, cheio de valor, mas aquilo que tenho sentido e tenho me deslocado pelo país, sinto um partido que se sente abandonado pela sua direção”, diz Nuno Correia da Silva.
Esta não é a primeira vez que Nuno Correia da Silva se candidata à liderança do CDS, mas no congresso de 2022 acabou por retirar a moção de estratégia global e não foi a votos.
Segundo os regulamentos e os estatutos do CDS, a apresentação de uma moção de estratégia não implica uma candidatura à liderança. No entanto, “para serem candidatos a presidente do partido os militantes terão de ser primeiros subscritores de uma Moção de Estratégia Global”.
No documento, Nuno Correia da Silva defende ainda o regresso à anterior designação de Partido Popular, porque vai “permitir reposicionar o Partido no espaço correto, o partido de quem madruga, que trabalha até faltarem as forças, que aproveita os seus méritos, mas sem nunca esquecer a responsabilidade solidária para com os outros”.
“Eu sou daqueles que não me satisfaço por estar no Governo. Acho que o CDS tem de se fazer sentir no Governo e tem de ter uma presença forte no Governo."
“Não é para impor nada ao PSD, nós não temos condições para impor nada ao PSD, nem é uma questão de estar a obrigar o PSD, o PSD é um partido que é complementado do CDS e por isso a AD tem razão de existir. Mas é influenciar, é contagiar o PSD”, avisa Nuno Correia da Silva.
Nuno Correia da Silva é conselheiro nacional do CDS-PP. Foi vogal da Comissão Política Nacional, vereador na Câmara de Lisboa, líder da Juventude Centrista, e deputado entre 1995 e 1999, quando Manuel Monteiro liderava o CDS-PP, tendo integrado a sua direção.
Saiu do CDS em 2003 com o antigo líder, para o partido Nova Democracia, e regressou em 2016. Um ano depois assume funções de vereador em Lisboa e apoiou João Almeida no congresso de 2020, mas aceitou integrar a comissão política liderada por Francisco Rodrigues dos Santos, tendo sido cabeça de lista por Viseu nas autárquicas de 2021.