Serralves mostra pela primeira vez a coleção privada Duerckheim
- 15/05/2026 03:00
- Redação
Ao entrar no Museu de Serralves, o visitante vai encontrar uma das peças de grande dimensão do artista britânico Damien Hirst. A obra intitulada “What Goes Around Comes Around” é uma espécie de grande mostruário com vários peixes conservados, uns inteiros, outros apenas o seu esqueleto.
Este é um dos exemplos do acervo da coleção privada Duerckheim que é mostrada no Museu de Serralves, no Porto, na exposição “Vexation of Spirit. The Duerckheim Collection x Serralves [Aflição de espírito. A Coleção Duerckheim x Serralves]”, que inaugura esta sexta-feira.
A mostra reúne 90 obras de 34 artistas contemporâneos internacionais, muitos deles figuras cimeiras da cena artística do final do século XX, início do século XXI. O acervo pertence ao colecionador de origem alemã Conde Duerckheim, que dedicou parte da sua vida à banca.
A coleção está em depósito permanente em Serralves, desde 2024, e a exposição esteve a ser preparada para dar a conhecer pela primeira vez, no Porto, este espólio.
“Considerada uma das coleções privadas mais significativas da Europa, reflete uma visão artística marcada pela inquietação moral e pela consciência histórica”, lê-se no folheto sobre a exposição.
Em Serralves, o público vai poder apreciar obras de artistas como Anselm Kiefer, Gerhard Richter, Gilbert & George, Francisco de Goya, Jake and Dinos Chapman, Antony Gormley ou Darren Almond.
“Trabalhei em diálogo constante com os colecionadores e nomeadamente com Christian Duerckheim, que adquiriu e pensou esta coleção, que está de facto muito estruturada em torno desse tema”, diz Marta Almeida, recordando que acervo está há um ano em Serralves.
A coleção, reunida ao longo de quatro décadas, inclui obras que refletem sobre os tempos e isso vai ao encontro do gosto do colecionador. “Temos que pensar que o Christian Durkheim é uma pessoa que nasceu um ano antes de terminar a Segunda Guerra Mundial, é alemão, e vive toda esse cenário do pós-guerra e acompanhou o trabalho de muitos artistas, não só alemães”.
A coleção acaba por “colmatar ausências de artistas” que existiam no espólio de Serralves, refere a curadora.
A exposição vai também querer ser motor de reflexão: organiza-se em quatro grandes núcleos dedicados aos temas da Religião, Sociedade, Guerra e Vexação.
“Penso que para uma pessoa que viveu a Segunda Guerra Mundial e o pós-Segunda Guerra Mundial, esse sentimento de humilhação é bastante presente e no fundo, é isso que o colecionador nos quer trazer, essa reflexão sobre todos os conflitos e as transformações, principalmente da história”, destaca Marta Almeida.