OMS declara emergência de saúde pública mundial devido a surto de ébola
- 17/05/2026 03:21
- Redação
De acordo com um comunicado divulgado pela OMS, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus determinou que o vírus "constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII), mas não preenche os critérios para uma emergência pandémica".
"Agradeço aos líderes da República Democrática do Congo e do Uganda pelo seu empenho em tomar as medidas necessárias e enérgicas para controlar o surto", afirmou Ghebreyesus.
A OMS alertou que "a elevada taxa de positividade das amostras iniciais e a confirmação de casos em Kampala e Kinshasa [capital da RDCongo] apontam para um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detectado actualmente".
Os factores que aumentam o risco de propagação de surtos incluem a insegurança persistente, a mobilidade populacional e a presença de serviços de saúde informais.
A OMS salientou ainda que, ao contrário de outras estirpes de ébola, "não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo", o que torna o surto um acontecimento extraordinário.
A organização recomendou a ativação dos mecanismos nacionais de emergência, o reforço da vigilância e dos laboratórios, a garantia da prevenção de infeções nas instalações de saúde e o estabelecimento de unidades especializadas para o isolamento e tratamento dos doentes.
Os países vizinhos - incluindo Angola - e a comunidade internacional foram também instados a coordenar estreitamente os esforços para conter a propagação, com a OMS a sublinhar que "nenhum país deve fechar as suas fronteiras ou impor restrições às viagens e ao comércio", alertando que tais medidas poderiam ser contraproducentes.
Em alternativa, as recomendações incluem rastreios de saúde em aeroportos e postos fronteiriços, envolvimento da comunidade na identificação de casos, funerais seguros e formação para profissionais de saúde.
A OMS indicou que qualquer novo caso suspeito deve ser notificado imediatamente e tratado como uma emergência de saúde pública.
Com a declaração de ESPII, a agência da ONU procura mobilizar recursos internacionais e garantir a implementação de medidas de controlo "eficientes e eficazes" para conter a propagação do vírus Bundibugyo na região.
A RDCongo sofreu um surto de ébola entre agosto e dezembro de 2025, com pelo menos 34 mortes.
O surto mais mortífero naquela região provocou quase 2.300 mortes em 3.500 casos entre 2018 e 2020.
O ébola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa, continua a ser uma ameaça formidável, apesar das vacinas e tratamentos recentes, eficazes apenas contra a estirpe Zaire, responsável pelas maiores epidemias registadas.