Ainda não há data para o fim das obras do Museu Nacional de Arqueologia
- 17/05/2026 06:00
- Redação
Nesta conversa, a propósito do Dia Internacional dos Museus que se assinala esta segunda-feira, Alexandre Nobre Pais explica que se trata de uma “intervenção muito complexa”.
As obras em causa são, em parte financiadas pelo PRR. Contudo, “vão encadear nessa empreitada, outras empreitadas” e por isso, afirma o responsável: “Não temos ainda uma data conclusiva”.
“É uma intervenção de raiz profunda”, reconhece Alexandre Nobre Pais que sublinha o esforço da equipa do museu para manter o contato com o público. A anteceder o Dia Internacional dos Museus, no dia 17 realiza-se a partir das 10h30 uma visita guiada pelo diretor António Carvalho às obras.
Com entrada livre, mediante inscrição prévia, a visita oferecerá uma “possibilidade única de se ver toda uma área que, quando o museu estiver montado, deixará de estar acessível ao público, portanto é mostrar um bocadinho dos bastidores”, indica o diretor da Museus e Monumentos de Portugal.
Questionado sobre um estudo recente realizado por uma equipa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas que identificou várias “linhas invisíveis” que dificultam o acesso aos museus, Alexandre Nobre Pais admite que há ainda barreiras.
“Há um afastamento dos museus, porque houve durante algum tempo a ideia que os museus são espaços para elites, com códigos complexos de serem entendidos, e, portanto, a população afasta-se um pouco”, identifica o responsável.
A isto soma-se “também uma noção de que os museus são espaços enfadonhos, onde se vai uma vez e não é preciso voltar, porque tudo está estático, parado ou cristalizado no tempo”, elenca Alexandre Nobre Pais.
O diretor da Museus e Monumentos destaca a importância do museu como espaço que valoriza a memória. “A memória é aquilo que nos faz refletir e pensar sobre o que somos enquanto indivíduos, sociedade e comunidade. E, por isso, há também uma responsabilidade da nossa parte, dos museus”, diagnostica o diretor.
“Temos que comunicar de uma forma diferente, mais acessível, mais próxima das novas gerações e das pessoas”, refere. Num ano em que o mote para o Dia Internacional dos Museus é “Museus a unir um mundo dividido”, Alexandre Nobre Pais destaca as atividades marcadas para assinalar a data.
O momento mais marcante acontece domingo, dia 17, às 16h com concertos em simultâneo em 26 museus, monumentos e palácios da rede da MPP.
35 grupos corais, de todo o país, darão corpo aos concertos que têm como título “Acordes de Paz”. De norte a sul, haverá música em defesa da paz. O programa do concerto inicia-se com “Acordai” de Fernando Lopes Graça e terminará com “Hino à Alegria” de Ludwig van Beethoven. Os concertos têm entrada gratuita.
Questionado sobre a temática para a celebração do Dia Internacional dos Museus, Alexandre Nobre Pais fala da importância destes equipamentos culturais, sobretudo num mundo onde se espalham os conflitos bélicos.
“O museu é essencial, porque o museu é a materialização da memória. O que vemos com a destruição de museus - e a destruição pode ser material ou o fecho dos museus e a dissipação das suas coleções - é sempre um atentado à memória. Portanto, há sempre um objetivo muito claro de fazer com que as pessoas percam as suas referências e valores" critica.
"É de facto fundamental conservar os museus e a noção de que os museus são espaços de segurança, para trocar ideias e para saber o caminho que vamos seguir”, opina Alexandre Nobre Pais.