Nuno Melo avisa que o CDS não é uma “tendência” e não quer partidos populistas “com acesso à área de governação”
- 17/05/2026 11:02
- Redação
Na véspera de se assinalar um ano das eleições legislativas que elegeram 60 deputados do Chega, Nuno Melo avisou, no congresso do CDS-PP, que decorreu este fim-de-semana em Alcobaça, que os partidos populistas não devem ter acesso à “área de governação” e que, num Parlamento fragmentado, a Aliança Democrática (AD) é o melhor que o país pode ter.
“Portugal não tem nada a ganhar com o acesso à área da governação de partidos extremistas, sem quadros nem políticas, muitas vezes sem limites e às vezes sem escrúpulos, empenhados em sabotar as instituições por dentro e com alianças externas bastante duvidosas” disse Nuno Melo nos primeiros minutos do discurso para concluir: "Meus amigos, em parlamentos fragmentados, o valor de uma aliança estável e sólida como a AD é, por estes dias, um ativo sem preço” referiu o líder do CDS-PP.
Num congresso onde muitos apontaram a necessidade de o CDS-PP se fortalecer para, no futuro, ir sozinho a eleições, Nuno Melo avisou que o partido “não é uma tendência, o CDS não se funde e seguramente o CDS não se dilui” na coligação de Governo.
Para mostrar que o partido tem identidade própria e iniciativa, Nuno Melo anunciou que, quando chegar o momento, o CDS-PP vai apresentar um projeto próprio de revisão constitucional.
“Quero anunciar que quando a questão agora se colocar, o CDS, independentemente da entrega da AD, vai, não obstante, participar de forma autónoma no próximo processo de revisão constitucional, defendendo o que defendemos sempre” disse Nuno Melo.
“A Lei Fundamental deve ser um documento ideologicamente neutro, representativo de todas as sensibilidades, não só das socialistas, e capaz de congregar e não desunir. Não podia ser de outra forma e para isto, meus amigos, criaremos um grupo de trabalho liderado por constitucionalistas reconhecidos, para que em coordenação com o nosso grupo parlamentar seja apresentada a nossa proposta” anunciou Nuno Melo.
O líder do CDS deu conta ainda ao congresso de outra iniciativa própria do partido que vai dar entrada no Parlamento e que quer duplicar as deduções em sede de IRS para as famílias com 3 ou mais filhos.
“Para que se aumentem as deduções fiscais para as famílias com mais filhos, duplicando o acréscimo a partir do terceiro filho. Meus caros amigos, nós celebramos o melhor do CDS. Nós celebramos o melhor do CDS. Mais filhos, menos IRS” disse Nuno Melo.
Nuno Melo garante que o CDS-PP sai mais mobilizado do Congresso de Alcobaça e que o partido tem caráter e vai crescer ainda mais. “O CDS não é uma espécie de plasticina que se adapta ao interlocutor que tem pela frente, ao ritmo da conveniência do momento, o CDS não cresce a manipular emoções, a explorar fragilidades, a fomentar a revolta, a dividir portugueses uns contra os outros” disse numa indireta ao Chega.
“O CDS, meus amigos, é um património fundamental da democracia em Portugal e com toda a legitimidade o CDS quer ser maior no futuro, e meus amigos, nós vamos crescer”, afirmou Nuno Melo no multiusos de Alcobaça.