Pena de morte: execuções atingem valor mais alto em 44 anos

Pena de morte: execuções atingem valor mais alto em 44 anos

  • 18/05/2026 02:00
  • Redação

De acordo com a Amnistia Internacional, o regime iraniano é um dos principais responsáveis por este aumento. Só no Irão foram executadas 2.159 pessoas, mais do dobro do registado no ano anterior. Ainda assim, a organização acredita que a China continua a ser o país que mais execuções realiza.

João Godinho Martins admite, inclusive, que poderá ter existido uma “redução no uso da pena de morte”, mas sublinha que há a certeza de que terão ocorrido “milhares de mortes”. Recorde-se que os dados da China são considerados segredo de Estado e, por isso, não são divulgados publicamente.

O relatório divulgado conclui ainda que 46% das pessoas executadas tinham sido condenadas por crimes relacionados com droga. O dado está a preocupar a Amnistia Internacional.

O aumento de quase 80% é interpretado pelo diretor da Amnistia Internacional em Portugal como resultado da “tendência autoritária de várias lideranças no mundo”. O principal aumento foi registado no Irão — onde as execuções duplicaram em 2025, para 2.159 —, mas também houve subidas na Arábia Saudita (pelo menos 356 execuções).

No Kuwait, o número de execuções quase triplicou, passando de seis para 17. No Egito, quase duplicou, de 13 para 23, o mesmo acontecendo em Singapura, onde subiu de nove para 17. Também nos Estados Unidos foram registadas quase o dobro das execuções, passando de 25 para 47.

No caso do Irão, João Godinho Martins recorda que a pena de morte continua a ser utilizada como “arma para instigar medo e esmagar a dissidência”. Segundo o responsável, métodos semelhantes são usados em países como a China e a Arábia Saudita.

Relativamente ao aumento das execuções nos Estados Unidos, João Godinho Martins destaca a relevância dos dados por se tratar de um país ocidental. O responsável da Amnistia Internacional considera que os números podem estar relacionados com o “engrandecimento” do desvio autoritário que surgiu durante a primeira administração Trump.

“Os Estados Unidos executam a sua justiça muito fora dos padrões internacionais estabelecidos pela comunidade internacional. Por exemplo, estão fora do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal Internacional de Justiça. O que vemos nos Estados Unidos é um isolacionismo e uma forma de recorrer a sentenças relativamente às quais grande parte do mundo já percebeu que não são solução para nada e cuja única consequência é a degradação do ser humano”, afirma João Godinho Martins.

O diretor da Amnistia Internacional em Portugal aponta as condenações à pena de morte por crimes relacionados com droga como um dos aspetos mais preocupantes do relatório.

João Godinho Martins considera que “o crime de droga nunca deveria justificar a aplicação da pena de morte” e relaciona o aumento destas condenações com o contexto da chamada “guerra contra as drogas”.

Segundo o responsável, países como a Argélia, o Kuwait e até as Maldivas fizeram alterações legislativas para alargar a aplicação da pena de morte a crimes relacionados com droga, situações que, na perspetiva da Amnistia Internacional, “não devem ser abordadas de forma tão punitiva”.

Para a Amnistia Internacional, não há dúvidas de que a pena de morte está a ser utilizada como arma de combate ao tráfico e ao consumo de droga.

  • Fonte: Rádio Renascença
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