“Importa garantir que escolas públicas dispõem de condições para que alunos possam frequentar museus”

“Importa garantir que escolas públicas dispõem de condições para que alunos possam frequentar museus”

  • 18/05/2026 07:33
  • Redação

Neste Dia Internacional dos Museus, que se assinala esta segunda-feira, o tema escolhido pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) é a frase “Museus a Unir um Mundo Dividido”. A temática no atual contexto global, diz na sua mensagem o presidente do ICOM Portugal, “interpela de forma particularmente exigente”.

David Felismino escreve que, “num contexto global marcado por tensões sociais, desigualdades persistentes, conflitos armados e polarizações culturais, os museus são chamados a afirmar-se como verdadeiros espaços de encontro, diálogo e construção de sentidos partilhados”.

Nesse sentido, este responsável aponta como fundamental o envolvimentos de crianças e jovens com os museus. “É essencial reconhecer o potencial dos museus como espaços de aprendizagem, participação e descoberta”, diz sublinhando que “importa garantir que todas as escolas públicas dispõem de condições para que os alunos possam frequentar os museus de forma regular, ativa e significativa”.

Na opinião deste responsável do ICOM, os museus fazerem “parte do percurso educativo de crianças e jovens” é vital para a própria democracia. “A diversidade de perspetivas e a liberdade de expressão não são apenas condições desejáveis, mas fundamentos estruturantes de uma sociedade verdadeiramente democrática. Sem elas, a memória enfraquece, o debate empobrece e o espaço público perde densidade e energia”, conclui.

Os museus são, por isso, afirma David Felismino, mais do que espaços de memória. “São lugares onde se cruzam memórias, identidades e narrativas, contribuindo para o reconhecimento mútuo e reforço da coesão social. As memórias não se limitam à evocação do passado, constituem antes um compromisso ético com o outro e com o tempo”.

Mas há “traumas” e nessa matéria os museus têm também um papel, refere. “Unir um mundo dividido não significa procurar consensos fáceis. Significa criar condições para o entendimento [e] reconhecer que a liberdade se constrói sempre em relação com o outro, não recusando a tensão nem ignorando o trauma, mas reconhecendo-os como parte constitutiva da experiência humana e da própria memória coletiva”.

Neste Dia Internacional dos Museus que se assinala em todo o mundo com diversas iniciativas, David Felismino sublinha ainda a função dos museus como “agentes ativos na construção de uma cidadania mais informada, mais consciente e mais participativa”.

“Os museus não podem limitar-se a representar, devem dialogar. Não podem apenas expor, devem escutar. Não podem apenas falar sobre, devem construir com. É neste encontro com a diversidade que a memória coletiva se adensa, ganha legitimidade e se abre ao exercício do pensamento crítico”, destaca, na mensagem divulgada a propósito desta celebração.

  • Fonte: Rádio Renascença
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