"Fui muito claro." Rangel pede clareza ao PS sobre as Lajes

"Fui muito claro." Rangel pede clareza ao PS sobre as Lajes

  • 19/05/2026 08:50
  • Redação

O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se esta terça-feira a "falar mais" sobre o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão, argumentando que já foi "muito claro" e "o tempo da clareza agora é para outros".

"Eu já disse tudo aquilo que tinha a dizer sobre a questão das Lajes ontem [segunda-feira]. Fui muito claro. O tempo da clareza agora é para outros, que ainda não foram claros sobre se mudaram de posição quanto àquelas que são as prioridades estratégicas de Portugal e que estão a lançar confusão na sua própria área", declarou Paulo Rangel em Estrasburgo, França.

"Eu ontem fui tão claro que não preciso de me interpretar a mim próprio. Não vou falar mais sobre isso. Não vou agora dizer mais nada. Aguardo esclarecimentos de quem lançou a confusão sobre a sua posição", completou.

Contudo, o chefe da diplomacia portuguesa não deverá ser ouvido pelo parlamento sobre a base das Lajes esta semana, uma vez que não está agendada nenhuma reunião da comissão de Negócios Estrangeiros, disse à Lusa fonte parlamentar.

No entanto, a comissão parlamentar não se reúne esta semana e os requerimentos destes partidos serão votados "com a maior urgência" na próxima reunião, prevista para dia 26, segundo a mesma fonte.

"Eu tenho uma agenda internacional complicada nas próximas semanas, mas estou disponível, se isso for possível, de acordo com as regras do parlamento, para ir na quarta-feira", declarou na segunda-feira Paulo Rangel aos jornalistas, à margem da assinatura do protocolo negocial do regime jurídico do ensino do português no estrangeiro.

"E vou dizer uma coisa: vou fazer esta sessão à porta aberta", acrescentou, justificando que, "quanto à questão que está em causa, não há nenhum elemento de confidencialidade, tudo foi explicado".

Os pedidos do PS e do PCP surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na quinta-feira, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a base das Lajes no conflito com o Irão.

Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.

Na segunda-feira, Paulo Rangel condenou a posição do PS sobre este tema, garantindo que o partido foi "informado e consultado previamente".

O secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, lamentou que não tenha havido "sentido de Estado do Governo português" e considerou que "um dos dois está a faltar à verdade", enquanto o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, falou de uma "humilhação à escala planetária" e disse que o país "viveu, desde aquele momento, agachado, de cócoras".

Sobre a declaração de Marco Rubio, o governante português disse que "toda a gente sabe que não tem valor literal", recordando que esclareceu logo na quinta-feira que "obviamente houve uma autorização para o uso da base das Lajes no contexto deste conflito".

"Uma coisa é antes do ataque [dos EUA e Israel ao Irão em 28 de fevereiro] e outra coisa é depois do ataque. Portanto, a partir do momento em que se dá o ataque, houve uma autorização formal e ela foi dada", indicou.

Antes do início dos ataques israelo-americanos, a base das Lajes "foi usada como todas as bases europeias em fevereiro", nomeadamente em Espanha ou Itália, "de acordo com o regime geral de autorizações tácitas", acrescentou.

  • Fonte: Rádio Renascença
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