"Esquerda não tem monopólio": Chega ouviu UGT e aponta ao eleitorado de esquerda
- 19/05/2026 09:45
- Redação
Quem visse o primeiro painel do programa das jornadas parlamentares do Chega, de 18 e 19 de maio, só percebia que era do partido, com a participação de deputados do partido.
Esta segunda-feira, o Chega contou com a participação do vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Rui Miranda. É uma estreia e pouco habitual num partido que tem tido dificuldades em convencer pessoas fora do Chega a participar nos seus eventos.
"São pessoas dignas, pessoas da sociedade, que já não têm vergonha, trazer alguém para vir falar às jornais parlamentares do Chega, era uma dificuldade incrível", assumia o líder da bancada do Chega, Pedro Pinto.
A barreira da normalização está a ser quebrada: "As pessoas já perderam o medo e dão a cara para estar aqui", diagnostica o líder parlamentar. A presença da UGT foi um sinal do que viria a marcar este encontro — o primeiro desde que o Chega ascendeu a maior partido da oposição.
O Chega assume, com este programa, que remete para segundo plano temas mais ideológicos que o colocaram nas luzes da ribalta na sua fundação, como a castração química, por exemplo. O núcleo duro de André Ventura sabe que para alcançar o poder é preciso ir mais longe e alargar a base do eleitorado.
Pedro Pinto apelidou a reforma laboral do Governo como "o maior erro" do Governo e argumenta que "veio ressuscitar os sindicatos em Portugal". O objetivo é tirar a bandeira do trabalho e dos salários à esquerda.
"A esquerda meteu na cabeça que tem o monopólio e o domínio dos trabalhadores em Portugal. Nada mais errado", começou por diagnosticar. E pediu coragem para mudar isso.
"Nós temos de ser aquela direita social que faz falta em Portugal, o espaço que o CDS esqueceu e que o PSD nunca teve. Nós não temos de ter medo de dizer isso", desafia o líder da bancada do Chega.
Pedro Pinto quer que o Chega se apresente como o partido dos trabalhadores: "Não temos de ter medo de dizer que pensamos nos trabalhadores" e afirmou que o país não precisa de uma reforma laboral: "Precisamos de uma reforma salarial."
O líder da bancada do Chega encerrou as jornadas parlamentares do partido a desafiar o PSD a ir a jogo na revisão constitucional.
Perante os 60 deputados do partido, Pedro Pinto lançou o repto: "Só existe um caminho. E o PSD vai ter mesmo que se definir, vai ter de dizer vai acompanhar ou não o Chega na revisão constitucional".
Este é o tema mais ideológico que o Chega tem agarrado com mais força nos últimos meses e que serve como momento de afirmação política. Ao mesmo tempo vai fazendo o caminho para alargar a base eleitoral do partido e conquistar o eleitorado mais velho, que tendencialmente vota mais à esquerda.