Se as abelhas desaparecerem "toda a agricultura vai ser prejudicada"
- 20/05/2026 03:00
- Redação
Entre janeiro e fevereiro deste ano, a passagem das tempestades Kristin, Leonardo e Marta fez com que se perdessem “entre sete a nove mil colmeias” só nas regiões mais afetadas, relata o apicultor. “Considerando que a nossa alimentação é influenciada em mais de 75% pela presença de abelhas”, prossegue, “toda a agricultura vai ser prejudicada porque a polinização não vai ser feita”.
Foi para responder a estas ameaças que surgiu o “Juntos pelas Abelhas”. O projeto, apoiado por uma multinacional da área alimentar, chega este ano à sexta edição e, além de oferecer formação para quem quiser iniciar-se na apicultura, vai doar 600 colmeias a apicultores afetados pelos incêndios e pelas tempestades, em especial na zona Centro do país.
Desde 2020, a iniciativa “já ajudou mais de mil apicultores”, diz o responsável, colocando “mais de cem mil milhões de abelhas na rua”.
Para fazer com que as colmeias cheguem a quem precisa, o “Juntos pelas Abelhas” funciona em articulação com as duas principais federações apícolas do país - a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) e a Federação Nacional de Cooperativas Apícolas e de Produtores de Mel (Fenapícola).
As federações “emitem uma solicitação às associações e cooperativas apícolas” que, por sua vez, “informam os seus colaboradores e associados”, explica Telmo Cabral. Os apicultores têm então de preencher um inquérito em que relatam as perdas que tiveram.
“Nós, por lei, temos de ter as nossas colmeias registadas e quando as perdemos também temos de dar baixa dessas colmeias”, esclarece, “e através dessa baixa, nós conseguimos informar as nossas federações, que acabam por selecionar os apicultores mais afetados”.
A par das alterações climáticas, as abelhas enfrentam outros perigos. Telmo Cabral alerta para a presença cada vez maior de parasitas e espécies invasoras em território nacional, como a varroa ou a vespa asiática, que “devora” as colmeias. “As vespas são assustadoras”, sublinha.
“Depois temos os custos dos equipamentos e dos alimentos, que estão cada vez mais caros”, garante o criador de abelhas. Contudo, o aumento dos custos de produção não se reflete no preço final do mel.
“Felizmente está um bocadinho melhor, mas o preço do mel em Portugal ainda não está ao nível do preço do mel europeu”, descreve Telmo Cabral. “Isso também causa a desistência de muitos apicultores”, refere.