Mariana Vieira da Silva responde a Assis. "Dizer que o líder do PS é radical não é o que precisamos"

Mariana Vieira da Silva responde a Assis. "Dizer que o líder do PS é radical não é o que precisamos"

  • 20/05/2026 07:26
  • Redação

"A serenidade faz-se também de respondermos às perguntas que temos quando há uma manifesta contradição e duas versões muito diferentes sobre estes acontecimentos. Não me parece que apontar para o secretário-geral do Partido Socialista e dizer que ele é radical, convença qualquer português e seja o que precisamos para avançar", responde a vice-presidente da bancada parlamentar do PS.

Mariana Vieira da Silva insiste que as explicações dadas ao PS não coincidem com as palavras do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. Em entrevista à Fox News, o responsável pela diplomacia norte-americana afirmou que o Governo de Lisboa permitiu a utilização da base das Lajes "antes mesmo de perguntarmos" durante a operação "Fúria Épica" contra o Irão.

Insistindo na necessidade de empregar menos "uma ideia qualquer de radicalismo e de fim dos compromissos entre os partidos", a ex-ministra argumenta que a legitimidade da dúvida não abala o consenso histórico entre PS e PSD na política externa.

"O Partido Socialista apoiou o Durão Barroso para a presidente da Comissão Europeia. E o governo do PSD também apoiou António Costa para Presidente do Conselho. Isto sim, é um compromisso e um diálogo estruturado. Mas a verdade é que, em vários momentos, esse consenso não foi total. E, de facto, esta história tem alguns detalhes que são parecidos com outros casos", sustenta Mariana Vieira da Silva, evocando as divergências de 2003 aquando da intervenção aliada no Iraque.

A ex-ministra recorda que houve uma moção de censura do Partido Socialista ao governo do PSD sobre esta matéria. "Não creio que ninguém tenha considerado que o consenso em matéria política externa acabou [por causa disso]", responde a deputada do PS.

Mariana Vieira da Silva alerta ainda para o peso de uma frase de Donald Trump aquando do início da operação contra o Irão. "Uma civilização inteira vai morrer esta noite", declarou o Presidente dos Estados Unidos a 7 de abril.

"Quando a história sobre este período se contar mais para a frente, a frase que agora todos teimamos em desvalorizar, e que Donald Trump utilizou na madrugada da invasão do Irão, vai acompanhar-nos", adverte a ex-ministra, que considera que o contexto de política externa e de alianças não tem as mesmas regras do passado.

"Aliados? Sim, mas não quer dizer que não tenham de ser feitas mais questões, porque antigamente não se diziam estas frases como justificação para uma invasão", acrescenta Mariana Vieira da Silva.

Para o ex-deputado do PSD Duarte Pacheco, o ministro dos Negócios Estrangeiros deverá clarificar o contexto da utilização da Base das Lajes, explicando como pode não haver qualquer contradição entre as declarações de Rubio e a posição do Governo.

O militante social-democrata considera que o PS "extravasou um pouco o consenso nacional sobre esta matéria", procurando "alimentar uma polémica que não interessa a ninguém".

  • Fonte: Rádio Renascença
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