Jornalistas da Lusa protestam contra “a ingerência do poder político” na agência de notícias
- 20/05/2026 10:40
- Redação
Os jornalistas da Agência Lusa cumprem esta quarta-feira um dia de greve para contestar a alteração dos estatutos por parte do Governo.
Susana Venceslau acredita que estas alterações vão limitar o trabalho dos jornalistas e “limitam a liberdade de imprensa, põem em causa a independência da agência e abrem portas a uma ingerência política e a riscos graves de governamentalização”.
O protesto frente à Assembleia da República contou com o apoio de alguns partidos, nomeadamente com a presença de José Luís Carneiro, líder do Partido Socialista, que apontou a garantia de isenção face ao poder político.
“A garantia da isenção, da imparcialidade, da liberdade, da autonomia e do sentido de responsabilidade que a Lusa tem tido, com uma imprensa livre e que seja garante dos valores democráticos”, disse José Luís Carneiro.
Mas o líder do PS acrescenta mais um ponto: o papel da agência junto das comunidades espalhadas pelo mundo.
“A outra é também procurarem colocar a Lusa num papel subsidiário, o que também é inaceitável. Porquê? Porque a Lusa tem em si mesma uma extensão e uma expressão, quer do ponto de vista territorial interno, quer do ponto de vista territorial externo, que é talvez uma das mais importantes riquezas de que o país dispõe em termos de expressão da língua, da cultura e da afirmação de Portugal no mundo", argumentou.
Segundo Carneiro, Portanto, são essas diferentes vertentes que estão em causa. "Queremos mostrar a nossa solidariedade para com a Lusa, com os seus trabalhadores, e dizer que contam com o PS no Grupo Parlamentar para defender essas vossas posições”, concluiu o líder do Partido Socialista.
“Nós esperamos que a Assembleia da República corrija o que o Governo fez. A agência de notícias Lusa é a única agência de notícias portuguesa. Nós não a podemos governamentalizar, isso é um risco. Correu mal no estrangeiro, vai correr mal em Portugal. Nós temos de garantir a independência da Lusa. Portugal precisa de ter a certeza de ter uma imprensa livre”, disse Fabian Figueiredo.
“A Agência Lusa é uma agência única do Estado e que serve o país e, portanto, é uma agência pública e deve, antes de mais nada, estar representada com os seus trabalhadores, isto é, a proporcionalidade na representação e nas decisões que a Lusa tem de tomar tem de incluir os trabalhadores e não ter uma participação irrisória em termos de representatividade”, disse Filipa Pinto, do Livre.
Acrescenta-se uma possível mudança da sede da Lusa, em Lisboa, para o campus da RTP, o que para os trabalhadores pode "diminuir a independência funcional da agência e levar, a prazo, ao seu desmantelamento".