“Situação absolutamente inaceitável”: Montenegro defende suspensão de acordo com Israel
- 20/05/2026 15:56
- Redação
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considera “inaceitável” o tratamento de Israel a ativistas de uma flotilha humanitária – entre os quais estão dois médicos portugueses – e volta a defender a suspensão do acordo de associação com Israel.
“A situação é absolutamente inaceitável”, afirmou esta quarta-feira Luís Montenegro durante uma visita a Andorra.
Em declarações captadas pela RTP, o primeiro-ministro defende a suspensão do acordo de associação entre a União Europeia e Israel.
“Relativamente às discussões que temos no âmbito da União Europeia, Portugal já tem manifestado a sua disponibilidade para uma suspensão parcial do acordo com Israel”, afirma o primeiro-ministro português.
O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, diz à RTP que o Governo português ainda não conseguiu falar com os dois médicos portugueses que participavam numa flotilha humanitária e que foram detidos por Israel, ao largo de Chipre.
“Estamos a tentar, mas neste momento só é permitido falar com eles os advogados da própria flotilha. Logo que seja possível - e nós estamos a acompanhar isso - iremos falar com eles e tentar trazê-los para Portugal”, declarou Emídio Sousa.
“Cada pessoa detida deve ser tratada com segurança, dignidade e em conformidade com o direito internacional”, disse o porta-voz Anouar El Anouni numa publicação na X.
“Apelamos ao governo israelita para garantir a proteção e o tratamento digno destes ativistas, incluindo vários cidadãos da UE”, acrescentou.
A polícia israelita obrigou os ativistas que se encontravam a bordo de uma flotilha de ajuda com destino a Gaza a ajoelharem-se no chão, em filas, com as mãos atadas às costas, enquanto Ben-Gvir observava, provocando críticas de líderes estrangeiros e mesmo de membros do próprio governo israelita.
Os ativistas foram detidos depois de a flotilha ter sido interceptada pelas forças israelitas em águas internacionais na terça-feira e posteriormente levados para um porto israelita.
“Nós só estaremos tranquilos quando conseguirmos falar com eles e ver a cara deles”, afirmou uma familiar, sublinhando o receio de que os dois médicos possam ter sido alvo de maus-tratos durante a detenção.