Missonário português no Congo: "Tenham compaixão por este povo"
- 21/05/2026 01:30
- Redação
O sacerdote da Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, radicado na República Democrática do Congo desde 2012, lamenta o pouco investimento na procura de cura para o Ébola que "ataca o pobre povo africano".
“Às autoridades, peço que possam ter compaixão por este povo e que possam enviar meios necessários para poder controlar esta situação”, apela.
O surto de Ébola na República Democrática do Congo já matou mais de 130 pessoas.
“Se fosse um antivírus, já teríamos uma vacina”, desabafa Marcelo Oliveira. "Como é um ébola que ataca o pobre povo africano, não há vacina nem tratamentos específicos para o poder tratar”, acrescenta.
O missionário pede "uma preocupação digna" em relação aos africanos e lembra que, por exemplo, ainda não existe uma vacina para a malária. “A malária mata quantas pessoas todos os anos? Já alguém se preocupou em fazer uma vacina?, interroga-se
O sacerdote sublinha que “quando houve o corona, imediatamente a vacina apareceu”, mas “para a malária ,que é uma coisa tão antiga, ainda não há vacina, só tratamentos paliativos”.
“Quando são os grandes que são atacados, facilmente se procuram soluções. Quando são os pobres, não há interesse”, lamenta. “Esperemos que um dia as coisas se possam voltar ao contrário e que a preocupação pelo povo africano possa ser mais digna”, acrescenta.
O sacerdote sublinha que continua a haver tráfego aéreo para a zona do surto, na província de Ituri, no nordeste do país, e adianta que “com o constante movimento de pessoas, com gente que se muda de sítio, que viaja de um lado para o outro, a propagação pode ser rápida”.
"Apesar de todos os gestos e barreiras que se possam implementar, que se possam fomentar, que se possam lembrar, nem sempre as pessoas o respeitam”, para além de que “o controlo da situação e do movimento de pessoas é muito difícil no país”.
“Quem pode controlar o povo num país que tem fronteira aberta, que tem florestas por todo o lado, por onde o povo pode sempre passar a fronteira para o outro lado ou passar uma barreira que está na estrada? Quem tem controle?”, pergunta.
“Aqui não há muro. Na América, há um muro que divide tudo e mesmo assim alguns conseguem saltá-lo. Aqui não há muros, pelo mato, pela floresta, pelo rio, pela ribeira, toda a gente pode atravessar e desaparecer para o outro lado e passar uma barreira”, enfatiza.
Por fim, o sacerdote insiste no apelo à ajuda e à contenção de um surto que é de “fácil contágio”, porque o vírus propaga-se “numa zona vermelha do país, onde os conflitos continuam, onde continua a haver milícias que continuam a devastar populações, a destruir”.