Banca: Incidentes severos afetaram pagamentos de 1,3 milhões de utilizadores em 2025

Banca: Incidentes severos afetaram pagamentos de 1,3 milhões de utilizadores em 2025

  • 21/05/2026 07:00
  • Redação

Eventos externos, falhas, erro humano ou ação maliciosa são as causas dos incidentes registados em 2025, considerados de “carácter severo”, que afetaram os pagamentos bancários.

Segundo o “Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2025”, divulgado esta quinta-feira pelo Banco de Portugal, no último ano ocorreram 51 incidentes de carácter severo, mais 16 do que em 2024. Afetaram 1,8 milhões de operações e 1,3 milhões de utilizadores.

Em 2025 inverteu-se a tendência que se registava há três anos, de diminuição destes incidentes. No entanto, o enquadramento regular é agora diferente.

São apontadas várias causas e, por vezes, o mesmo incidente tem diferentes origens. A mais frequente são os eventos externos (57%), seguida por falhas nos sistemas (29%), falhas de processos (20%), erro humano (10%) e ação maliciosa (6%).

No apagão de 28 de abril, que deixou o país sem luz elétrica durante 10 horas, as transações registaram uma “redução significativa” a partir das 11h30. As compras caíram 36% em quantidade e valor e os levantamentos diminuíram 34% em quantidade e 24% em valor. No dia seguinte, regressou tudo à “normalidade”.

Na mesma linha, uma falha no hardware interrompeu 8 mil pagamentos e mais de 700 operações com títulos no dia 27 de fevereiro. Um dia depois foram liquidadas todas as operações pendentes.

O Banco de Portugal está a trabalhar num Plano de Resiliência, para responder a eventos extremos.

Nos primeiros seis meses de 2025, “a fraude associada aos pagamentos em Portugal diminuiu e mantém-se em níveis reduzidos”, de acordo com o relatório.

Por cada milhão de operações, registam-se 66 fraudes com cartões de pagamento, quatro em débitos diretos e 10 nas transferências.

A maioria das fraudes com cartão, 70%, passa pelo roubo de dados, resulta de uma ordem de pagamento feita pelo infrator. O mesmo acontece nas transferências, onde já não é frequente a manipulação dos utilizadores, mas ordens diretas de pagamento pelo infrator (84%).

Mais de metade das fraudes com cartão (54,5%) são assumidas pelas instituições. Já nas transferências, os clientes suportaram em 2025 84% das perdas.

Com a dupla autenticação, quando o cliente adiciona o respetivo PIN às operações, está a assumir a responsabilidade em caso de fraude. Por outro lado, as novas regras permitiram diminuir as burlas. Em dois anos, evitaram-se 6,5 milhões de perdas financeiras por manipulação do ordenante, segundo o banco central.

No último ano foi movimentado mais dinheiro em Portugal, uma tendência que acompanha o crescimento da economia. O Banco de Portugal registou um crescimento de 10,7% no número de pagamentos, para 5,2 mil milhões. O valor transacionado aumentou 12,8%, o que corresponde a uma subida de 3 euros em cada transação, que sobe agora para 168 euros, em média.

Segundo este relatório, por dia foram realizados, em média, 14,2 milhões de pagamentos no retalho, no valor de 2,4 mil milhões de euros.

“Os instrumentos de pagamento eletrónicos representaram 99,9% da quantidade de operações efetuadas sem recurso a numerário”, indica o relatório.

O recurso a alternativas, como o cheque, continua a diminuir, embora tenha aumentado o valor pago por este meio (+4,1%). Os cheques devolvidos diminuíram 15% e correspondem a 0,6% do total. A lista de utilizadores de cheque que representam um risco também desceu (-21%), para 5448, 71% são particulares e 29% empresas.

Nos pagamentos do dia a dia, os cartões continuam a ser o instrumento preferido, foram utilizados em mais de 85% das transações. Destas, 58% foram feitas com tecnologia contactless, que está a ser usada com mais frequência (aumentou 15,3% em quantidade e 19% em valor).

Quase 70% dos pagamentos com cartão representam compras, cerca de 10% são considerados movimentos de baixo valor. Apenas 8% das utilizações do cartão destinam-se a levantar numerário, 6% são transferências e 5% pagamentos.

As compras online com cartões nacionais cresceram mais de 19%, em quantidade e em valor. A maioria foi em comerciantes fora de Portugal.

Em valor, destacam-se as transferências a crédito, por onde passaram 46,9% dos montantes.

Mas em 2025 destacam-se as transferências imediatas, que aumentaram 17 vezes face a 2024. O valor envolvido é quase cinco vezes superior ao do ano anterior. Esta tendência deve-se à entrada em vigor do novo Regulamento, que levou à migração de transferências baseadas em cartão para as transferências imediatas. “O recurso a transferências a crédito caiu pela primeira vez desde 1999”, acrescenta o BdP.

Também aumentaram (3,6%) os pagamentos através de débito direto. A maioria das rejeições, mais de 75%, continua a estar relacionada com a falta de dinheiro na conta.

Entre as novidades nos pagamentos destaca-se o euro digital, um projecto em preparação desde 2020.

Entre setembro e outubro deste ano deverá arrancar o projeto-piloto, com transações em euros digitais em ambiente controlado, que inclui empresas e particulares.

Só dentro de três anos deverá ser possível a utilização generalizada do euro digital na Europa, com a segurança garantida pelos bancos centrais e como sistema complementar.

Há países do euro que estão a eliminar as moedas de baixo valor, de 1 e 2 cêntimos, devido à baixa utilização, optando por regras de arredondamento. Também já há geografias a ponderarem a retirada das moedas de 5 cêntimos.

Por cá, já existem propostas para eliminar estas moedas de baixo valor, mas a decisão é do Governo.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: